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18% dos pais admitem que os filhos passam mais de cinco horas por dia ligados nas pausas letivas

18% dos pais admitem que os filhos passam mais de cinco horas por dia ligados nas pausas letivas
Rogério Junior

O tempo livre do verão está a empurrar as crianças para muito mais horas de ecrã, mas há quem veja nestas semanas a melhor oportunidade do ano para inverter o hábito. Jorge Álvarez, CEO da SaveFamily, explica porquê.

As férias grandes trouxeram tempo livre de sobra e, com ele, uma consequência que muitas famílias já conhecem: os ecrãs passam a ocupar boa parte do dia. Segundo dados do Observatório Digital da SaveFamily, 18% dos pais reconhecem que, em dias de férias, feriados ou pausas letivas, os filhos chegam a estar mais de cinco horas ligados. E o retrato não fica por aqui: 68% assumem que as crianças passam mais de duas horas por dia online, num intervalo que o estudo situa entre as duas e as quatro horas diárias.

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Muito tempo livre, pouca supervisão

A explicação é quase sempre a mesma. Com a escola fechada e os adultos a trabalhar, sobram horas sem rotina e sem alguém por perto para propor alternativas. As crianças acabam por preencher esse vazio da forma mais imediata, que é distrair-se online.

Curiosamente, o bom tempo lá fora não trava o fenómeno. Os padrões de consumo mantêm-se, e em muitos casos até se acentuam, com um efeito secundário relevante: as crianças perdem a verdadeira noção de quanto tempo passam ligadas.

O verão como oportunidade, não como problema

Há, porém, outra forma de olhar para estas semanas. Precisamente por ser um período mais flexível, sem horários rígidos, o verão pode ser a melhor altura do ano para construir hábitos digitais novos e uma relação mais equilibrada com a tecnologia.

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“No mundo atual é praticamente impossível que as crianças não cresçam com a tecnologia. Mas podemos educá-las para o uso da tecnologia de forma mais consciente e equilibrada. Seja atrasando a introdução de equipamentos como os telemóveis, seja ensinando a fazer um uso adequado dos mesmos, com tempos definidos, conteúdos controlados, e sempre com o seu bem-estar físico e emocional em primeiro lugar”, refere Jorge Álvarez, CEO da SaveFamily.

A ideia de fundo é simples: mais do que proibir, trata-se de tornar consciente. Em crianças cujo uso já é problemático, a sugestão passa por criar pequenos desafios que as levem a reduzir o tempo online de forma gradual e assumida.

Duas estratégias fáceis de aplicar em casa

Dormir com os equipamentos fora do quarto. Um dos primeiros reflexos ao acordar é agarrar o telemóvel. Sem horas fixas para entrar na escola, é mais fácil dispensar o despertador do telemóvel e, com o tempo, substituí-lo por um despertador tradicional com música. Elimina-se o primeiro contacto do dia com o aparelho e, de caminho, a criança deita-se longe dele.

Criar um diário digital. Ao fim do dia, a criança aponta num caderno que conteúdos consumiu, quantas horas esteve online e que plataformas usou. Mais do que as ferramentas de utilização já incorporadas nos equipamentos, o objetivo é a tomada de consciência. E abre uma porta para que, no futuro, as crianças falem com os pais sempre que se sintam desconfortáveis com alguma coisa que veem online.

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Estratégias como estas ajudam os mais novos a serem hoje conscientes dos seus comportamentos, o que se traduz em mais responsabilidade agora e mais tarde, na relação que vierem a ter com a tecnologia.

O regresso às aulas já traz regras novas

O verão é também a antecâmara do próximo ano letivo, e este chega com alterações. O uso de telemóveis nas escolas portuguesas passa a estar proibido até ao 9.º ano, num contexto em que surge cada vez mais legislação a limitar o acesso dos mais novos às redes sociais.

Daí a importância de preparar o terreno já: convém que as crianças percebam que estas medidas existem a pensar no seu bem-estar e que a tecnologia pode ser uma aliada, desde que usada de forma responsável.

Relógios inteligentes como meio-termo

Entre não ter nada e ter um telemóvel há soluções intermédias. Os relógios inteligentes permitem um primeiro contacto com a tecnologia sem a imposição do telemóvel e são apresentados como aliados tanto das crianças e jovens como dos encarregados de educação.

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Do lado prático, mantêm o contacto permanente através de chamadas, videochamadas e mensagens, e incluem localização por GPS e botão SOS, o que significa que os mais novos estão sempre contactáveis. Do lado do controlo, contam com aplicações direcionadas a cada faixa etária e controlo parental, pelo que os pais sabem a que conteúdos os filhos têm acesso e garantem que o uso não é excessivo.

A conclusão é que o mesmo verão que pode empurrar para o excesso de ecrãs é também o momento certo para desenhar novas soluções, reduzir a dependência digital e ensinar as crianças a crescer de forma equilibrada com a tecnologia.

Quem é a SaveFamily

A SaveFamily é uma empresa espanhola especializada no desenvolvimento de smartwatches com GPS para crianças e idosos. Desde 2017 trabalha para aproximar a tecnologia das famílias, com dispositivos pensados para melhorar a comunicação, a segurança e a autonomia dos utilizadores. Está presente em mais de 43 países e serve mais de um milhão de famílias.