5 formas (surpreendentes) como o coronavírus está a mudar a maneira como pensamos

Estamos todos, enquanto sociedade, a enfrentar alterações tanto a nível pessoal, como profissional na nossa vida quotidiana. Mas serão os impactos desta mudança negativos ou positivos?

É normal que esteja a sentir dificuldade em lidar com as transformações provocadas pelo surto do Coronavírus. Pode estar a sentir-se assustado com toda a situação, irritado ou ansioso. Mesmo que não tenha quaisquer sintomas de doença, é provável que se possa estar a sentir pior. Pode não perceber porque existem algumas pessoas que parecem ainda não estar a levar isto a sério ou pode não concordar com as decisões extremas de todos aqueles que parecem acreditar que isto é uma catástrofe sem precedentes.

Uma coisa é certa, independentemente de como possa estar a sentir-se, a verdade é que o nosso Mundo mudou “de um dia para o outro”. Sem qualquer dúvida. Para além de uma incrível maior preocupação com a nossa higiene pessoal e pública, também o Mundo do trabalho mudou repentinamente. O teletrabalho é agora a única opção que resta a muitas empresas e serviços. No entanto acima de tudo isto parece surgir uma ainda maior transformação na forma como pensamos sobre nós e sobre o Mundo.

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Sobre este tema parecem existir duas opções: sucumbir à pressão psicológica provocada por toda esta situação ou aproveitar esta oportunidade para algum tipo de crescimento pessoal. Estes tipos de alturas de crise representam momentos de rutura. É exatamente nas situações de maior falta de esperança e de maior preocupação que acabamos por fazer/sentir coisa novas, que jamais acreditámos ser possíveis. A possibilidade de nos reinventarmos e de questionarmos algumas das nossas regras pré-estabelecidas pode ser algo incrivelmente útil para nos realinharmos com os nossos verdadeiros objetivos e ambições.

Eis alguns exemplos de como o surto Covid-19 pode estar a mudar a forma como pensa sobre si mesmo e sobre o Mundo que o rodeia, de acordo com o portal “Psychology Today”.

 

1. Identificamos tudo aquilo que sempre tomámos por garantido
Estes tempos excecionais obrigam-nos a entender que grande parte das coisas que fazemos nas nossas vidas são “luxos” raramente percecionados como tal. Independentemente da sua riqueza, da sua idade ou etnia, todos estamos a sentir as consequências do surto. A socialização está restrita, alguns recurso/serviços escassos e o nosso emprego está em risco.
Nestes momentos apercebemo-nos como viemos a ser sortudos por poder contar com todas essas coisas. Sentimo-nos mais empáticos para com todas as pessoas mais desfavorecidas, que porventura nem nunca tiveram a estabilidade que sempre percecionamos como garantida. Estaremos porventura agora mais disponíveis para ajudar os outros.

2. Não nos sentimos tanto sob controle
Ao longo do nosso crescimento enquanto seres humanos, é frequente acreditarmos que podemos conquistar o Mundo. Que através do nosso trabalho árduo podemos chegar até onde quisermos e que o nosso futuro está nas nossas mãos. Ora, nestes dias esta perceção parece estar cada vez mais enfraquecida. Este surto obriga-nos a reconhecer todos os fatores externos que podem condicionar a nossa existência. É assim importante que nos continuemos a concentrar em todas as coisas que conseguimos, de facto, controlar. Aproveite este período para refletir sobre a sua vida, para perceber que caminho quer seguir ou que mudanças aplicar após o final desta crise.

3. Ganhar claridade em relação à importância das coisas mais simples
Neste momento grande parte da população está a sentir a sua mobilidade restrita, a sua vida suspensa. Torna-se fundamental simplificar e perceber quais são as pequenas coisas que continuam a ser possíveis apesar de toda esta crise. Ligar a um amigo, escrever, ler, relaxar ao sol, tudo isto são coisas que nos dão prazer, que nos fazem sentir bem. Todas as pequenas coisas que nos irritavam há 6 meses atrás parecem agora menos significativas. O trânsito ou o ter de lidar com um colega demasiadamente conversador, são coisas que não devem ser capazes de influenciar negativamente o nosso estado de espírito. Apenas agora conseguimos melhor compreender isso.

4. Os seus objetivos de longo-prazo podem parecer menos importantes
Muitos de nós têm tendência para estar sempre focados no futuro, no que ainda está por vir, em tudo aquilo que queremos alcançar. Este tipo de mindset afasta-nos do momento presente e torna mais difícil apreciar e saborear a vida que temos perante os nossos olhos. Ter tempo para “parar e cheiras as rosas” pode ser mais importante do que imagina. Sendo certo que é pouco lógico acreditar que todos os nossos objetivos a longo-prazo estão agora comprometidos por culpa do surto, a verdade é que esta experiência coletiva nos está a obrigar a pensar mais no presente. Os nossos pensamentos estão a afastar-se de tudo aquilo que queremos alcançar no futuro e a focar-se mais nas coisas que queremos fazer ainda hoje.

5. Uma maior sensação de gratidão
Este é um período de grande incerteza. Não sabemos sequer o que vamos encontrar (ou não) na nossa próxima ida ao supermercado. Acima de tudo não sabemos com exatidão prever quando todo este pesadelo irá terminar. Durante estes dias sentimo-nos bem mais gratos por ter asseguradas algumas das principais necessidades básicas. Sentimos gratidão por ter acesso a uma torneira de água para lavar as mãos, a medicamentos, desinfetantes e até ao papel higiênico. A boa noticia é que os estudos indicam que aqueles que se sentem mais gratos, são também aqueles que habitualmente reportam níveis de felicidade mais elevados. Coletivamente estaremos agora mais disponíveis para apoiar o “próximo” e não tão concentrados na nossa individualidade.

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