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A cadeira onde passa mais tempo: como escolher um cadeirão que não custe as costas

A cadeira onde passa mais tempo: como escolher um cadeirão que não custe as costas
Fernanda M. Reis

Altura do assento, firmeza e apoios de braço decidem se consegue levantar-se sozinho daqui a dez anos. E os modelos elevatórios nem sempre são a resposta.

É o móvel onde se passam mais horas acordado e aquele que quase toda a gente escolhe pelo aspecto. Uma poltrona errada obriga a impulsos que as costas não aguentam e, com o tempo, transforma-se num problema de autonomia.

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A altura do assento é o que mais importa

Sentado, os pés devem assentar bem no chão e os joelhos ficar aproximadamente ao nível das ancas, num ângulo de cerca de noventa graus. Se os joelhos ficam mais altos do que as ancas, levantar-se exige um esforço enorme dos quadríceps e da coluna.

Na prática, para a maioria dos adultos, isso corresponde a uma altura de assento entre 45 e 50 centímetros. Meça a distância do chão à parte de trás do joelho, com os sapatos que usa em casa, e leve esse número para a loja.

Profundidade e firmeza

Sentado encostado, deve caber a largura de dois ou três dedos entre a parte de trás do joelho e o assento. Assentos demasiado profundos obrigam a escorregar para a frente e a perder o apoio lombar.

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Quanto à firmeza, os sofás muito moles são confortáveis nos primeiros minutos e uma armadilha ao levantar. Prefira espuma de densidade média a alta, que cede o suficiente sem afundar.

Apoios de braço

São os que fazem o trabalho no momento de levantar. Devem ser firmes, prolongar-se até à frente do assento e ficar a uma altura que permita apoiar os antebraços sem levantar os ombros. Poltronas com braços curtos ou recuados são precisamente as que deixam as pessoas presas.

Encosto e cabeça

Um encosto alto, que suporte a cabeça, evita que o pescoço fique pendurado quando se adormece a ver televisão, que é uma das causas mais banais de dor cervical matinal. Uma almofada lombar pequena melhora quase qualquer cadeira.

Cadeirões elevatórios

Têm um motor que inclina o assento para a frente e ajuda a pessoa a ficar de pé. São úteis em situações de fraqueza muscular marcada, artrose avançada ou recuperação de cirurgia.

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Duas notas importantes. A primeira: usar um destes cadeirões quando ainda se consegue levantar sozinho acelera a perda de força, pelo que só deve ser adoptado quando é mesmo necessário. A segunda: existem comparticipações para produtos de apoio, mediante prescrição e avaliação, e vale a pena perguntar na unidade de saúde antes de comprar por conta própria.

Na loja

Experimente sentar e levantar cinco vezes seguidas, sem usar as mãos na primeira tentativa e com as mãos nos braços nas seguintes. É o teste que diz tudo, e é exactamente o que ninguém faz antes de comprar.

Tecidos laváveis ou com capa removível poupam muitos aborrecimentos, e cores médias disfarçam melhor o uso do que os extremos.

Uma almofada resolve muito

Antes de trocar de cadeirão, experimente uma almofada firme no assento, que aumenta a altura, e uma almofada lombar. Em muitos casos, esta correcção de poucos euros devolve o conforto e adia a compra por uns bons anos.

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E confirme a estabilidade: uma poltrona que desliza no soalho ao apoiar os braços é um risco de queda. Feltros antiderrapantes nos pés resolvem em dois minutos.