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A doença silenciosa do fígado que atinge sobretudo mulheres dos 40 aos 60

A doença silenciosa do fígado que atinge sobretudo mulheres dos 40 aos 60
Fernanda M. Reis

Cerca de duas mil pessoas vivem em Portugal com Colangite Biliar Primária, muitas sem o saber. No dia internacional dedicado à doença, os especialistas apelam ao diagnóstico precoce.

Chama-se Colangite Biliar Primária, é crónica, rara e silenciosa, e atinge sobretudo mulheres entre os 40 e os 60 anos. Estima-se que cerca de duas mil pessoas vivam com esta doença em Portugal, muitas sem o saber. Para dar visibilidade ao problema, a Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado está a promover uma campanha de consciencialização, a propósito do Dia Internacional dedicado à doença, que se assinala este domingo, 13 de Setembro.

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Uma doença que avança em silêncio

A Colangite Biliar Primária é uma doença autoimune que provoca inflamação das pequenas vias biliares no interior do fígado. Com o tempo, essa inflamação pode lesar o tecido hepático e levar ao desenvolvimento de fibrose. Em muitos casos, a doença mantém-se ligeira ou moderada, sem perturbar o funcionamento do fígado; noutros, evolui para doença hepática avançada. Começa habitualmente entre os 40 e os 60 anos e, embora atinja sobretudo mulheres, também pode surgir nos homens. Sem tratamento atempado, pode chegar a doença hepática terminal.

«Apesar de ser uma doença rara, pode ter consequências graves quando o diagnóstico é tardio», alerta Paula Peixe, presidente da associação. Mesmo sem complicações graves, as doentes podem sentir prurido, por vezes incapacitante, e um cansaço persistente associado à doença.

Como se faz o diagnóstico

O diagnóstico atempado pode evitar danos mais graves no fígado e faz-se com uma combinação de exames laboratoriais, que procuram marcadores de autoimunidade como os anticorpos anti-mitocondriais, complementados por ecografia abdominal e elastografia hepática, um exame que avalia o grau de fibrose. À medida que a doença progride, podem surgir complicações relacionadas com a cirrose, como icterícia, acumulação de líquido no abdómen ou hemorragias digestivas.

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Não há cura, mas há tratamento

A boa notícia é que, embora a cura ainda não exista, os tratamentos disponíveis podem melhorar a qualidade de vida, atrasar a evolução da doença e reduzir o risco de complicações, nomeadamente de cirrose. «O acompanhamento médico regular é, por isso, essencial», sublinha Paula Peixe.

Sinais a que deve estar atenta

Se está na faixa dos 40 aos 60 anos, vale a pena reter dois sinais que justificam uma conversa com o médico de família: uma comichão persistente sem explicação aparente e um cansaço que não passa com o descanso. Nenhum deles significa necessariamente doença do fígado, mas ambos merecem ser investigados, sobretudo porque as análises que levantam a primeira suspeita são simples e fazem parte de qualquer avaliação de rotina. Como em quase tudo na saúde, chegar cedo faz toda a diferença: detectada a tempo, a Colangite Biliar Primária é uma doença com a qual se pode viver com qualidade durante muitos anos.

A campanha da associação decorre nos meios de comunicação e nas suas redes sociais ao longo dos próximos dias, com informação sobre a doença, o diagnóstico e o tratamento. O objectivo é simples e vale a pena repetir: quanto mais pessoas conhecerem os sinais desta doença rara, mais diagnósticos se farão a tempo de mudar o seu curso. Partilhar esta informação com as mulheres da família e com as amigas desta faixa etária é uma forma concreta de ajudar.