Há quem entre na sala dez minutos antes da reunião e quem apareça sempre a pedir desculpa, com o casaco meio vestido. A astrologia tradicional divide os doze signos do zodíaco em quatro elementos, e é aí que procura a explicação para essa diferença.
É uma leitura simbólica, antiga, que muita gente reconhece em si própria ou em quem espera à porta do café combinado para as três da tarde.
Fogo: quem chega sempre primeiro
Carneiro, Leão e Sagitário partilham o elemento fogo, e a tradição associa-lhes iniciativa e uma certa impaciência. Quem tem um destes três signos costuma preferir chegar cedo a arriscar ficar para trás.
É o grupo que a astrologia descreve como querendo estar sempre à frente, mesmo quando isso significa esperar sozinho pelos outros.
Terra: a pontualidade como método
Touro, Virgem e Capricórnio formam o elemento terra. A tradição fala de método, apego ao concreto e desconfiança do que não se vê nem se mede.
Para estes três signos, chegar a horas não é cortesia, é disciplina. A hora combinada é tratada como um compromisso que se cumpre, sem margem para negociação.
Ar: a hora que nunca é a combinada
Gémeos, Balança e Aquário pertencem ao elemento ar, ligado pela astrologia à curiosidade, à conversa e à dificuldade em se fixarem a um horário.
Quem tem um destes signos troca facilmente uma saída pontual por mais cinco minutos de conversa, e o atraso acumula-se sem se dar por isso, do café para o comboio da CP e do comboio para a reunião seguinte.
Água: leais, mas nunca a horas
Caranguejo, Escorpião e Peixes fecham o quadro dos quatro elementos. A tradição descreve-os com memória longa, sensibilidade e lealdade a quem já provou o seu valor.
São signos que a tradição astrológica associa a memória longa, sensibilidade e lealdade a quem já provou, não por desinteresse, mas porque a emoção do momento pesa mais do que o relógio na parede.
Fica a leitura simbólica, com os doze signos divididos em quatro grupos de três. Cada leitor decide se se reconhece nela ou não.
A pontualidade muda com a idade
Há um paradoxo que muita gente reconhece depois da reforma: com a agenda mais livre, começa a chegar-se mais tarde.
A explicação é simples e não tem nada de astrológico. Quando havia horários de trabalho, tudo estava encaixado em blocos rígidos e o dia organizava-se sozinho. Sem esses blocos, cada tarefa expande-se para ocupar o tempo disponível, e sai-se de casa mais tarde do que se pensava.
Ao mesmo tempo, quase tudo passa a demorar mais: vestir, estacionar, andar até à porta. Quem continua a calcular os tempos que calculava aos quarenta anos chega sistematicamente atrasado sem perceber porquê.
Truques de quem se atrasa sempre
- pensar na hora de sair de casa, e não na hora de chegar, que é o erro de base;
- acrescentar dez minutos ao tempo que acha que demora, sempre;
- deixar preparado de véspera o que tem de levar;
- pôr o alarme não para a hora de sair, mas para quinze minutos antes;
- e, para quem tem consultas, contar com o estacionamento como se fosse parte do percurso.
O relógio adiantado cinco minutos funciona durante duas semanas e depois o cérebro desconta automaticamente. Não vale a pena insistir nesse.
Do outro lado, os que chegam cedo de mais
Também há custo aqui. Chegar sempre trinta minutos antes significa passar uma parte considerável da vida à espera, e criar tensão à volta de horários que eram perfeitamente confortáveis.
A quem se reconhece nisto fica uma sugestão: levar sempre qualquer coisa para ler. Transforma a espera em tempo ganho em vez de tempo perdido, e reduz a irritação com quem se atrasa.
Quando o atraso deixa de ser um traço
Atrasos que aparecem de novo, em quem foi pontual a vida toda, acompanhados de confusão com datas, de dificuldade em planear uma sequência de tarefas ou de esquecimentos de compromissos, são outra conversa e merecem ser falados com o médico de família.










