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Adoptar um animal depois dos 70: o que pesar antes de decidir

Adoptar um animal depois dos 70: o que pesar antes de decidir
Maria Isadora Ribeiro

Um animal de companhia faz bem à saúde, à rotina e à solidão. Mas é um compromisso de anos, e há perguntas honestas a fazer antes de trazer um para casa.

Quem já teve um animal em casa conhece o efeito: há sempre alguém à espera, há uma rotina que obriga a levantar, a sair e a falar. A investigação confirma o que a experiência sugere: a companhia de animais está associada a menos solidão, mais actividade física e, em alguns estudos, a melhor tensão arterial e menos sintomas depressivos.

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Mas trazer um animal para casa aos 70 ou aos 80 anos exige uma conversa honesta consigo próprio.

As perguntas difíceis

Quantos anos vive este animal e que idade terei quando ele for velho? Consigo passeá-lo todos os dias, faça chuva ou faça sol? E se eu for hospitalizado uma semana, quem fica com ele? Tenho orçamento para ração, vacinas, desparasitação e uma urgência veterinária?

Nenhuma destas perguntas é motivo para desistir. São motivo para escolher melhor.

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Escolher com a cabeça

Um cachorro ou um gatinho dão trabalho, mordem tudo e exigem energia. Um animal adulto ou já idoso, que existe às centenas em associações e canis municipais, costuma ser mais calmo, já está habituado a viver com pessoas e agradece um sofá quente.

Nos cães, o porte importa mais do que a raça: um cão grande e forte pode desequilibrar quem já não tem tanta firmeza. Nos gatos, a vantagem é a autonomia: não precisam de sair, fazem as necessidades na caixa e adaptam-se bem a apartamentos.

Há ainda quem encontre boa companhia em animais mais discretos, como aves ou peixes, que dão rotina sem exigir passeios.

Cuidados práticos

Comida e areão pesam: vale a pena resolver isso com entregas ao domicílio ou com ajuda da família. As trelas curtas e os arneses dão mais controlo do que as trelas extensíveis. E convém manter as unhas do animal cortadas, para reduzir riscos de arranhões em pele fina, e a casa livre de tapetes e fios soltos, porque tropeçar no animal é uma causa real de quedas.

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Um plano para o que possa acontecer

É a parte que ninguém gosta de tratar e a mais importante. Combine com alguém da família ou com um vizinho quem fica com o animal em caso de internamento ou de morte, e deixe isso por escrito, com os contactos do veterinário e as informações de saúde do animal. Algumas associações têm programas de acolhimento nestas situações.

O custo real de um animal

Vale a pena fazer contas antes: ração, areia, vacinas anuais, desparasitação, identificação electrónica obrigatória nos cães e registo, mais consultas de rotina. A somar, há sempre a possibilidade de uma doença que obrigue a exames ou cirurgia. Existem seguros para animais que ajudam a diluir esse risco, e algumas associações têm protocolos com clínicas a preços reduzidos.

Alternativas ao compromisso permanente

Quem gosta de animais mas não quer assumir anos de responsabilidade tem opções: acolhimento temporário de animais em associações, que fornecem ração e cuidados veterinários; voluntariado em canis e gatis, onde há sempre falta de mãos para passear e dar carinho; ou simplesmente tomar conta do cão de um vizinho durante as férias.

O afecto é o mesmo. O compromisso é que é medido à medida de cada um.

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