Setembro e Outubro são, provavelmente, os melhores meses para conhecer o interior do país. As temperaturas descem, os autocarros de excursão rareiam e as aldeias voltam ao ritmo normal. Cinco sugestões para um domingo com tempo.
Piódão, no coração da Serra do Açor
A mais conhecida das aldeias de xisto, encaixada numa encosta em forma de anfiteatro, com as casas todas viradas para o mesmo lado e as janelas pintadas de azul. À noite, quando a aldeia está iluminada, parece um presépio, e é assim que costuma ser descrita.
A estrada de acesso é sinuosa e exige atenção. Dentro da aldeia, as ruas são íngremes e de calçada irregular, o que pede calçado firme e paragens frequentes.
Monsanto, a aldeia das pedras
Construída entre penedos gigantes, com casas que nascem debaixo de rochas e telhados que são a própria pedra. A subida ao castelo é exigente, mas a vista sobre a planície da Beira Baixa compensa. Quem não quiser subir tudo pode ficar-se pelas ruas do centro, que já valem a viagem.
Sortelha, dentro das muralhas
Uma das aldeias históricas mais bem preservadas, com o casario dentro de muralhas medievais e um ambiente de outro tempo. Tem restaurantes de cozinha regional e uma praça onde apetece ficar sentado. Cuidado com o piso, que é de pedra polida por séculos de passagem.
Talasnal, na Lousã
Uma aldeia de xisto recuperada, a poucos quilómetros da Lousã, ideal para quem quer uma visita curta e sem grandes distâncias. Fica perto das praias fluviais da serra, que no Outono mantêm o encanto sem multidões.
Castelo Novo, no Fundão
Menos conhecida e por isso mais tranquila, com fontes, ruas de granito e um pelourinho. É uma boa escolha para quem prefere aldeias com poucos degraus e com percursos mais planos no núcleo central.
Como planear a ida
Estas aldeias têm poucos serviços. Almoce a horas certas, porque muitos restaurantes servem até às 14h30 e voltam a abrir só ao jantar, e confirme por telefone se abrem ao domingo. Leve dinheiro, porque nem todos os estabelecimentos aceitam cartão, e abasteça o carro antes de entrar na serra.
O acesso é quase sempre feito por estradas estreitas de montanha. Quem não gosta de conduzir nestas condições pode optar por excursões organizadas de um dia, que partem de várias cidades e resolvem o problema do estacionamento, habitualmente escasso.
Uma nota sobre mobilidade
Praticamente todas estas aldeias têm ruas em declive e piso irregular, sem alternativa acessível. Para quem usa bengala ou tem dificuldade em andar em terreno desnivelado, vale a pena escolher uma aldeia com núcleo plano, estacionar o mais perto possível do centro e aceitar ver menos, sentado numa esplanada com vista, que continua a ser um excelente programa.
Onde dormir, se quiser ficar
Várias destas aldeias têm casas de turismo rural recuperadas, muitas vezes nas próprias casas de xisto ou granito. Fora das épocas de férias, os preços descem bastante e há disponibilidade a poucos dias de distância, o que permite transformar um passeio de domingo em dois dias com calma.











