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Arroz doce como o de antigamente: o ponto que faz a diferença

Arroz doce como o de antigamente: o ponto que faz a diferença
Fernanda M. Reis

Todas as famílias têm a sua versão e quase todas falham no mesmo passo. Uma receita simples, com as proporções certas e os erros a evitar.

É a sobremesa de domingo, de festa e de funeral, e a única que quase todos os portugueses sabem reconhecer quando está bem feita. O arroz doce leva quatro ingredientes principais e tem três pontos onde costuma correr mal.

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Ingredientes para seis pessoas

Duzentos gramas de arroz carolino, um litro de leite meio-gordo, cerca de 180 gramas de açúcar, casca de um limão em tiras largas, um pau de canela, uma pitada de sal, duas gemas e canela em pó para polvilhar.

O arroz carolino é importante: liberta mais amido e dá a cremosidade característica. Com arroz agulha, o resultado fica solto e nunca cremoso.

O método

Comece por cozer o arroz em água a ferver, o suficiente para o cobrir, com uma pitada de sal, durante cerca de dez minutos, até a água quase desaparecer. É este primeiro passo que muita gente salta e que garante que o grão coze por dentro antes de encontrar o leite.

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Junte depois o leite morno, a casca de limão e o pau de canela, e deixe cozinhar em lume brando, mexendo com frequência com colher de pau, durante mais vinte a trinta minutos.

O açúcar entra tarde

É o segundo erro clássico. Se o açúcar for adicionado no início, o grão endurece e demora muito mais a cozer. Junte-o já perto do fim, quando o arroz estiver cozido, e deixe mais cinco minutos.

As gemas, fora do lume

Terceiro ponto crítico. Retire o tacho do lume, tire umas colheres do arroz quente e envolva com as gemas batidas num recipiente à parte, para as temperar. Só depois junte tudo ao tacho, mexendo bem. Deitar as gemas directamente no arroz a ferver dá ovos mexidos.

Volte ao lume mínimo apenas um minuto, sem deixar ferver.

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O ponto certo

Deve ficar mais líquido do que aquilo que se pretende no fim, porque o arroz continua a absorver leite enquanto arrefece. Um arroz doce que sai do tacho perfeito fica seco no prato uma hora depois.

Servir e variar

Espalhe em travessa ou em tigelas individuais e desenhe com canela em pó, com a ajuda de tiras de papel ou de um crivo. Serve-se frio ou morno, nunca acabado de fazer.

Há variações por todo o país: com casca de laranja em vez de limão, com uma pitada de erva-doce no Alentejo, com mais gemas no Norte, e versões sem gema, mais leves. Algumas casas juntam uma colher de manteiga no fim, que dá brilho.

Para quem tem diabetes

É uma sobremesa com hidratos duplos, do arroz e do açúcar. Uma porção pequena, contada dentro da refeição, é preferível a versões com adoçante que raramente convencem. Reduzir o açúcar para cerca de metade funciona melhor do que substituí-lo.

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Sobras e conservação

Guarde no frigorífico, tapado, até três dias, e retire do frio um bocado antes de servir, porque frio de mais esconde o sabor. Não congela bem: a textura desfaz-se e o leite separa-se ao descongelar.

E uma última nota: o arroz doce está melhor no dia seguinte, quando os sabores assentam. Fazer de véspera não é um remedeio, é a forma certa.