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As viagens de comboio mais bonitas que se podem fazer em Portugal

As viagens de comboio mais bonitas que se podem fazer em Portugal
Fernanda M. Reis

Sem trânsito, sem estacionamento e com paisagem à janela. Estas linhas ferroviárias atravessam vales, serras e vinhas, e algumas custam pouco mais do que uma tarde de café.

Há uma forma de viajar que dispensa condução, estacionamento e mapas: sentar-se à janela de um comboio e deixar o país passar. Para quem já não conduz longas distâncias, ou simplesmente prefere olhar a paisagem, as linhas regionais portuguesas oferecem alguns dos melhores passeios do país por poucos euros.

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A linha do Douro

É a mais famosa e merece a fama. Entre o Porto e o Pocinho, a via segue colada ao rio durante dezenas de quilómetros, por entre encostas de vinha em socalcos. No Outono, depois das vindimas, a paisagem fica dourada. Pode fazer-se o percurso completo ou apenas o troço entre a Régua e o Tua, que concentra as melhores vistas.

A linha do Tâmega e o vale

Partindo de Livração, a pequena linha do Tâmega sobe até Amarante por um vale fechado e verde. É curta, tranquila, e combina bem com um almoço na cidade e um passeio à beira-rio.

A linha do Oeste

Entre Lisboa e Figueira da Foz, atravessa campos, pinhais e localidades como Torres Vedras, Caldas da Rainha e Leiria. Não tem o dramatismo do Douro, mas é uma viagem sossegada por um Portugal rural que quase desapareceu das estradas principais.

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A linha do Algarve

De Lagos a Vila Real de Santo António, o comboio regional percorre todo o litoral algarvio a pouca velocidade, parando em dezenas de apeadeiros. Fora do Verão, é um excelente modo de conhecer vilas que os turistas ignoram, com bilhetes muito baratos.

A Beira Baixa e a serra

A linha que sobe até à Covilhã, encostada à Serra da Estrela, oferece vistas amplas sobre a serra e os vales, sobretudo na aproximação final. No Inverno, com neve nos cumes, é outro espectáculo.

Uma linha com história

Vale a pena lembrar que muitas destas linhas foram construídas no final do século XIX e princípio do XX e ainda conservam estações com azulejos, relógios antigos e apeadeiros onde o tempo parou. A estação de São Bento, no Porto, e a do Pinhão, com os seus painéis dedicados às vindimas, são obras de arte por direito próprio, e visitam-se sem bilhete.

Conselhos práticos

Reserve lugar nos comboios de longo curso, e escolha o lado certo: na linha do Douro, o lado direito no sentido Porto-Pocinho dá para o rio. Leve água e um farnel, porque muitos regionais não têm serviço de bar. Verifique se a estação de destino tem acessibilidade, já que várias estações antigas têm escadas e passagens de nível.

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Fora de época, muitos destes comboios seguem quase vazios, o que permite escolher o lugar e viajar com sossego. Convém apenas confirmar os horários com antecedência, porque nas linhas regionais há por vezes apenas duas ou três ligações por dia, e perder uma pode significar esperar horas.

E não esqueça os descontos: a partir dos 65 anos, a CP pratica 50% de desconto nos comboios Alfa Pendular, Intercidades, Regional e InterRegional, mediante apresentação de documento de identificação. Numa viagem de ida e volta, a diferença dá quase sempre para o almoço.