Há pessoas que voltam sempre ao mesmo sítio, ano após ano. A astrologia atribui essa fidelidade a um punhado de signos que, segundo a tradição, carregam a memória de um lugar como quem carrega um mapa gravado na pele.
O zodíaco ocidental reúne doze signos distribuídos por quatro elementos, com três signos em cada um, uma organização que a tradição astrológica mantém há mais de dois mil anos de observação do céu. A tradição atribui aos signos de terra apego ao concreto; aos de água, memória longa, sensibilidade e lealdade a quem já provou..
Touro e a fidelidade ao que já conhece
Touro é, na tradição, o signo do método. Desconfia do que não consegue tocar ou medir, e essa desconfiança do desconhecido explica porque prefere sempre o caminho que já percorreu ao atalho que ainda não testou.
Touro guarda os sítios que já conhece bem. Se um restaurante, uma praia ou um bairro já resultaram uma vez, a astrologia diz que este signo não vê motivo nenhum para arriscar um caminho novo quando o antigo continua a funcionar.
É essa mesma desconfiança que o traz de volta.
Caranguejo, o que nunca esquece onde foi feliz
A tradição associa a Caranguejo uma memória longa e uma lealdade que não se explica facilmente a quem fica de fora, porque este signo de água guarda os lugares com o mesmo cuidado com que guarda as pessoas.
Regressar não é, para Caranguejo, um hábito qualquer. É uma forma de manter viva uma sensação que já provou ser boa, uma necessidade quase emocional de continuidade que a astrologia lê como fidelidade ao que resultou.
Escorpião e o peso do que já foi vivido
Escorpião também pertence ao elemento água, como Caranguejo. Partilha com esse signo a memória que não se apaga, mas A tradição associa a Escorpião memória longa, sensibilidade e lealdade a quem já provou o seu valor., e um lugar carregado de significado dificilmente se torna substituível.
Por isso volta, mesmo quando o caminho custa mais. A lealdade a quem, ou ao que, já provou o seu valor pesa mais do que a novidade.
Capricórnio e o apego ao que resistiu ao tempo
Capricórnio partilha com Touro o mesmo elemento terra. Com ele, partilha também o método e a desconfiança do que ainda não foi testado, e a astrologia associa-lhe uma preferência clara por aquilo que já provou aguentar o tempo.
Um sítio a que se volta é garantia. Se resistiu até aqui, a tradição diz que Capricórnio confia nele mais do que confiaria em qualquer novidade.
No fundo, estes quatro signos lembram a mesma ideia por caminhos diferentes: há quem procure sempre o novo, e há quem prefira aprofundar o que já conhece. A astrologia não diz qual caminho é melhor, só qual traz mais paz a cada um.
Voltar não é falta de imaginação
Há uma pressão silenciosa para conhecer sítios novos, como se repetir fosse um desperdício de tempo. Mas voltar ao mesmo lugar faz uma coisa que a novidade não faz: mede o tempo.
Quem volta todos os anos à mesma praia sabe o que mudou na vila, quem abriu e quem fechou, que árvores cresceram. E sabe, sobretudo, o que mudou em si, porque tem um ponto fixo com que se comparar.
É a diferença entre coleccionar sítios e ter uma relação com um.
O que a memória faz com os lugares
A memória humana é fortemente espacial. Voltar a um sítio devolve pormenores que nenhuma fotografia devolve: o cheiro, a luz àquela hora, o som do mar naquele ponto exacto.
É por isso que uma visita ao bairro da infância desencadeia recordações que estavam inacessíveis há décadas. O lugar funciona como chave.
Quem trabalha com pessoas com demência conhece bem este efeito, e é uma das razões pelas quais os objectos e os ambientes familiares têm tanta importância nessa fase.
Levar alguém ao seu sítio
Há aqui uma sugestão concreta que costuma dar bom resultado: levar um filho ou um neto ao sítio que conta e explicar porquê, no próprio lugar.
A casa onde se nasceu, a escola, a fábrica, o café onde se conheceu o marido ou a mulher. Contado em casa é uma história; contado ali é outra coisa, e fica.
Se o sítio já não existe, vale a mesma coisa: mostrar onde era e o que lá estava é frequentemente ainda mais forte.
Quando a repetição aperta
Há um ponto em que voltar sempre ao mesmo deixa de ser escolha e passa a ser evitamento: quando se recusa qualquer coisa nova por receio, quando o mundo vai encolhendo até caber em três ruas.
A correcção não precisa de ser radical. Um sítio novo por ano, pequeno e perto, chega para manter a porta aberta.










