Há quem acorde às três da manhã a resolver um problema que ainda nem aconteceu. A tradição astrológica, com mais de dois mil anos de observação do céu, tem uma explicação para isso, e aponta quatro signos como os maiores candidatos a essa vigília mental.
O zodíaco ocidental divide-se em doze signos, agrupados em quatro elementos, três signos cada: fogo, terra, ar e água. É nos signos de água e de terra que a astrologia coloca o peso maior da preocupação antecipada.
Água: a memória que não desliga
Caranguejo, Escorpião e Peixes partilham, segundo a tradição, uma memória longa e uma sensibilidade que não esquece facilmente o que já correu mal.
Essa lealdade a quem já provou o seu valor tem um reverso: a mente destes signos vive a recuar ao passado para prever o futuro, e é aí que nasce a insónia.
Caranguejo teme repetir uma dor antiga antes mesmo de ela se anunciar. Escorpião analisa cada sinal como se fosse uma ameaça disfarçada. Peixes absorve o ambiente à sua volta e transforma qualquer incerteza alheia em preocupação própria.
Terra: a desconfiança do que ainda não se vê
Touro, Virgem e Capricórnio pertencem ao elemento terra, associado pela tradição ao método e ao apego ao concreto.
É precisamente essa necessidade de controlo que os deixa inquietos perante o que ainda não tem forma definida. Se não pode ser tocado, medido ou planeado, a astrologia diz que estes signos tendem a desconfiar dele.
Virgem antecipa o pior cenário como forma de se preparar. Capricórnio revê planos vezes sem conta antes de os dar como fechados. Touro, mais paciente, ainda assim resiste a avançar sem uma certeza que muitas vezes não existe.
Reconhecer-se no mapa
A astrologia não promete que estes signos vão sofrer mais do que os outros, nem que os restantes oito estão livres de noites mal dormidas.
Fica apenas o retrato de uma tendência que a tradição repete há séculos: a mente que se adianta ao problema, antes de o problema sequer existir.
Quando a antecipação deixa de ser um traço
Preocupar-se de véspera é humano e, em doses moderadas, é até útil: é assim que se leva o guarda-chuva e se confirma a hora da consulta.
O problema começa quando a cabeça deixa de desligar. Quando se acorda às três da manhã com a mesma conversa a repetir-se, quando o corpo responde com palpitações e aperto no peito, quando se evitam coisas por antecipar o que pode correr mal.
Nessa altura já não é temperamento, é ansiedade, e tem tratamento. Vale a pena dizê-lo sem rodeios, porque muita gente atribui isto à maneira de ser e nunca fala com ninguém.
Dois hábitos que travam a cabeça
O primeiro é escrever. Antes de deitar, numa folha, o que há para resolver no dia seguinte e qual é o primeiro passo de cada assunto. O cérebro deixa de precisar de repetir a lista durante a noite para não a esquecer.
O segundo é marcar hora à preocupação. Parece estranho e funciona: definir vinte minutos por dia, sempre à mesma hora e nunca à noite, para pensar no assunto com toda a atenção. Fora dessa janela, adia-se para a próxima sessão.
São técnicas usadas em terapia e não custam nada experimentar.
O que dizer a quem é assim
Não resulta dizer que não vale a pena preocupar-se, nem que está tudo bem. Quem antecipa não o faz por falta de informação.
Resulta melhor perguntar o que é que concretamente receia que aconteça e o que faria nesse caso. Levar a preocupação até ao fim, em voz alta, costuma desarmá-la mais do que tentar interrompê-la.











