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Aumentos salariais em Portugal ficam nos 3% e vão ser mais selectivos

Notas de euro de vários valores espalhadas
Maria Isadora Ribeiro

O novo estudo da WTW aponta para aumentos salariais de 3,0% em 2026 e 3,2% em 2027 em Portugal, mas com uma mudança de fundo: as empresas estão a abandonar os aumentos iguais para todos e a concentrar o orçamento em funções críticas e talento-chave. E 85% dos trabalhadores ficam onde estão.

Quem espera um salto no salário em 2027 pode ir moderando as expectativas: os orçamentos das empresas portuguesas para aumentos salariais deverão manter-se em torno dos 3%, com uma subida ligeira de 3,0% em 2026 para 3,2% em 2027, segundo o mais recente Salary Budget Planning Report da consultora WTW. E a forma de distribuir esse bolo está a mudar: menos aumentos para todos, mais aumentos dirigidos a quem as empresas não querem perder.

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Orçamentos cumpridos à risca

Mais de metade das organizações portuguesas inquiridas (53%) não mexeu no orçamento salarial inicialmente definido para 2026, sinal de disciplina no planeamento. As pressões que condicionam as decisões são as do costume: gestão de custos (32%), inflação (24%) e receio de recessão ou de resultados mais fracos (24%). O quadro explica a moderação: com a inflação a rondar os 3%, aumentos desta ordem servem sobretudo para manter o poder de compra, mais do que para o aumentar.

O fim dos aumentos iguais para todos

“As empresas estão a afastar-se de aumentos generalizados e a privilegiar uma utilização mais selectiva dos recursos disponíveis, orientada para funções críticas, competências escassas, talento-chave e desempenho”, explica Sandra Bento, directora de Rewards Data Intelligence da WTW Portugal. Cerca de 30% das organizações já estão a ajustar os programas de compensação e 17% preparam alterações, que passam pela revisão completa da compensação (44%), por aumentos dirigidos a grupos específicos (30%) ou pela subida das faixas salariais de entrada (24%).

Ficar quieto é a nova tendência

O mercado de trabalho está mais parado: 85% dos trabalhadores mantêm-se na mesma empresa e apenas 7,7% das organizações aumentaram o número de colaboradores. Sem grandes contratações, as empresas apostam noutras moedas para reter as pessoas: melhoria da experiência do colaborador (43%), mais formação (43%) e maior ênfase na diversidade e inclusão (40%).

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O que isto diz a quem trabalha

Para quem está no activo, sobretudo na recta final da carreira, a mensagem do estudo é dupla. Os aumentos automáticos e iguais para todos estão em vias de extinção, pelo que o crescimento salarial dependerá cada vez mais de competências valorizadas e de desempenho demonstrável. E num mercado em que quase toda a gente fica onde está, quem pondera uma mudança de emprego nos últimos anos antes da reforma deve pesar bem o que perde em antiguidade e estabilidade contra o que ganha em salário. Para quem já está na reforma mas acompanha filhos e netos no mercado de trabalho, o estudo dá contexto às conversas de família sobre carreiras: os tempos em que a antiguidade garantia por si só o crescimento do ordenado vão ficando para trás.

Um inquérito com 429 empresas portuguesas

O Salary Budget Planning Report é elaborado duas vezes por ano pela WTW. Esta edição foi realizada entre março e maio de 2026, com 34.024 respostas de empresas de 156 países, das quais 429 organizações em Portugal. “Esperamos que os aumentos salariais se mantenham, no curto a médio prazo, em torno dos 3%”, antecipa Sandra Bento, notando que as empresas que usarem esse orçamento “de forma mais criteriosa” ficarão mais bem posicionadas na competição pelo talento.