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AVC: os três sinais que obrigam a ligar o 112 sem hesitar

AVC: os três sinais que obrigam a ligar o 112 sem hesitar
Rogério Junior

Boca ao lado, braço sem força, fala trocada. Reconhecer estes sinais em segundos é o que separa uma recuperação completa de uma incapacidade para a vida.

Em Portugal, o acidente vascular cerebral continua a ser uma das principais causas de morte e a primeira causa de incapacidade permanente em adultos. A parte que mais custa aceitar é esta: uma boa parte das sequelas graves não resulta da gravidade inicial do AVC, mas do tempo que se demorou a chegar ao hospital.

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Os três sinais

A regra é simples e cabe em três gestos. Peça à pessoa para sorrir e veja se um dos lados da boca fica descaído. Peça para levantar os dois braços e veja se um deles cai ou não sobe. Peça para dizer uma frase simples e veja se troca palavras, arrasta a fala ou não consegue falar.

Se qualquer um destes sinais aparecer, ligue de imediato o 112 e diga que suspeita de AVC. Essa palavra activa um circuito próprio, a chamada via verde, que leva a pessoa directamente ao hospital certo.

Outros sinais a valorizar

Perda súbita de visão de um olho ou de metade do campo visual. Dormência ou formigueiro de um lado do corpo. Desequilíbrio ou dificuldade em andar de instalação brusca. Dor de cabeça muito intensa, diferente de tudo o que se sentiu antes. O que define o AVC é a instalação repentina, em segundos ou minutos.

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O erro mais comum: esperar

Muita gente deita-se, toma um comprimido, telefona a um filho, espera para ver se passa. Os tratamentos que dissolvem ou removem o coágulo têm janelas de tempo apertadas, contadas a partir do momento em que a pessoa foi vista bem pela última vez. Fora dessas janelas, deixam de poder ser usados.

Por isso, ninguém deve ir de carro próprio nem esperar pelo médico de família. A ambulância já inicia avaliação no caminho e leva ao hospital com capacidade para tratar.

Enquanto a ajuda não chega

Deite a pessoa de lado, com a cabeça ligeiramente elevada, e não lhe dê comida, bebida nem medicamentos, incluindo aspirina, porque há AVC provocado por hemorragia e nesses casos a aspirina agrava. Anote a hora exacta em que os sintomas começaram, ou a última hora em que a pessoa estava normal. É a informação mais importante que vai dar no hospital.

Se houver perda de consciência e ausência de respiração normal, inicie compressões torácicas e mantenha o 112 em linha.

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Sinais que passam sozinhos também contam

Quando os sintomas desaparecem ao fim de alguns minutos, fala-se de acidente isquémico transitório. Não é um falso alarme: é um aviso sério, com risco elevado de AVC verdadeiro nos dias seguintes. Deve ser avaliado com urgência, ainda que a pessoa se sinta perfeitamente bem.

O que reduz o risco

Controlar a tensão arterial é, de longe, a medida mais eficaz. Seguem-se não fumar, tratar a fibrilhação auricular, controlar o colesterol e a diabetes, moderar o álcool, praticar actividade física e manter peso saudável. A maior parte dos AVC é atribuível a factores de risco modificáveis.

Depois do AVC

A reabilitação começa cedo, ainda no internamento, e prolonga-se meses. Fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional recuperam funções que nas primeiras semanas parecem perdidas. Existe uma rede nacional de cuidados continuados para apoiar esta fase, e há associações de doentes que acompanham famílias e cuidadores.

Guardar os três sinais na memória, e ensiná-los aos netos, é das coisas mais úteis que se pode fazer por quem está à nossa volta.

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