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Bolor nas paredes: como identificar a origem antes de pintar por cima

Bolor nas paredes: como identificar a origem antes de pintar por cima
Fernanda M. Reis

A mancha volta sempre porque a causa continua lá. Antes de comprar tinta, é preciso perceber se o problema é condensação, infiltração ou humidade ascendente.

Aparece primeiro num canto do quarto, atrás do armário ou por cima da janela. Limpa-se, pinta-se, e no Inverno seguinte está lá outra vez. O bolor é um sintoma, não a doença, e enquanto a origem da humidade não for identificada, qualquer tinta é dinheiro adiado.

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Condensação: a causa mais frequente

É a humidade que existe dentro de casa, produzida por nós, e que condensa nas superfícies frias. Cozinhar, tomar banho, secar roupa dentro de portas e respirar produzem litros de vapor por dia. Quando esse vapor encontra uma parede fria, deposita-se em gotículas e o bolor instala-se.

Reconhece-se por surgir sobretudo em cantos, atrás de móveis encostados, nos vidros e nas caixas de estore, e por piorar no Inverno.

A solução tem três partes: ventilar, aquecer e isolar. Abrir as janelas em par durante dez minutos, duas ou três vezes por dia, mesmo no frio, troca o ar sem arrefecer as paredes. Manter uma temperatura mínima constante evita superfícies frias. Afastar móveis alguns centímetros das paredes exteriores permite circulação de ar. E secar roupa lá fora sempre que possível, ou com a janela aberta.

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Infiltração: vem de fora

Surge associada a chuva e vento, com manchas que aumentam depois dos temporais, muitas vezes em tectos, junto a janelas mal vedadas, em fachadas com fissuras ou por causa de caleiras entupidas. Aqui, nenhuma ventilação resolve: é preciso reparar a origem, o que pode implicar o condomínio quando se trata de fachada ou cobertura.

Humidade ascendente: vem do chão

Típica de edifícios antigos sem barreira impermeável, manifesta-se numa faixa contínua na parte inferior das paredes, até cerca de um metro de altura, com tinta a descascar e, por vezes, sais brancos na superfície. Exige intervenção técnica específica e é a mais cara de resolver.

Limpar o bolor com segurança

Em manchas pequenas, uma solução de lixívia diluída em água, aplicada com luvas, máscara e janela aberta, resolve a superfície. Nunca misture lixívia com amoníaco ou com produtos de limpeza ácidos, porque liberta gases tóxicos. Em áreas grandes ou recorrentes, o problema é estrutural e pede avaliação profissional.

Não é só uma questão estética

Os esporos do bolor agravam asma, rinite e alergias, e são especialmente incómodos para quem tem doença respiratória crónica. Em casas com pessoas mais velhas ou com problemas pulmonares, a humidade deixa de ser um assunto de decoração.

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Desumidificadores ajudam?

Ajudam nos casos de condensação, sobretudo em divisões sem boa ventilação, e alguns modelos gastam pouco. Mas são um complemento, não uma solução: se houver infiltração ou humidade ascendente, o aparelho anda a retirar água que continua a entrar.

Antes de qualquer obra, vale sempre a pena pedir a opinião de um técnico e perceber de onde vem a água. É a única forma de pintar uma vez e não voltar ao assunto todos os anos.

Quando o problema é do prédio

Se a humidade vem da fachada, da cobertura ou de uma canalização comum, a reparação é responsabilidade do condomínio e não do proprietário da fracção. Comunique por escrito à administração, com fotografias e datas, e peça que o assunto seja levado a assembleia. Guardar esse registo é essencial se mais tarde houver que discutir responsabilidades por danos.