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Bordar: um passatempo antigo que se aprende em duas tardes

Bordar: um passatempo antigo que se aprende em duas tardes
Fernanda M. Reis

Portugal tem tradições de bordado com séculos, de Viana a Castelo Branco e à Madeira. Começar exige pouco mais do que um bastidor, linha e paciência.

É uma daquelas artes que quase desapareceu e que voltou pela mão de gente nova. Para quem viu a mãe ou a avó a bordar, pegar numa agulha tem ainda outro sentido, o de continuar qualquer coisa.

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Porque faz bem

Pelas mesmas razões do tricô: o movimento repetitivo acalma, a concentração afasta preocupações e o resultado é visível. Trabalha ainda a motricidade fina e a coordenação entre a vista e as mãos.

Ao contrário de outras actividades manuais, ocupa pouco espaço, não faz barulho e transporta-se numa bolsa.

O material para começar

Um bastidor de madeira ou de plástico, de tamanho médio. Tecido de algodão de trama regular, que é o mais fácil para quem começa. Linhas de bordar de seis fios, que se separam conforme a espessura pretendida. Agulhas de bordar, com olho grande. Uma tesoura pequena e afiada.

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Tudo isto compra-se por poucos euros em retrosarias, que vão desaparecendo das ruas mas ainda existem em quase todas as cidades.

Quatro pontos resolvem quase tudo

O ponto atrás, para contornos. O ponto cheio, para preencher superfícies. O ponto de nó, para centros de flores e pormenores. E o ponto haste, para caules e linhas curvas. Com estes quatro, faz-se um pano de assinar, uma fronha ou um quadro pequeno.

Comece por um desenho simples, transferido para o tecido com papel próprio ou desenhado a lápis leve.

As nossas tradições

Portugal tem um dos patrimónios de bordado mais ricos da Europa. Os lenços dos namorados de Vila Verde, com as suas frases e erros ortográficos assumidos, que eram declarações de amor bordadas por raparigas. O bordado de Castelo Branco, em seda sobre linho, com as suas colchas. O bordado da Madeira, com certificação própria e séculos de exportação. E ainda Viana do Castelo, Nisa e Guimarães, cada um com pontos e motivos próprios.

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Museus como o de Castelo Branco e os núcleos museológicos da Madeira e de Vila Verde têm colecções que valem a visita e que servem de inspiração.

Cuidados com a vista e com as mãos

Trabalhe com muita luz, de preferência natural ou com um candeeiro articulado, e evite fazê-lo à noite em luz fraca, que é como se cansam os olhos depressa. Existem bastidores de pé e lupas com luz, muito úteis a partir de certa idade.

Faça pausas de dez minutos a cada meia hora e alongue as mãos e o pescoço. Bordar com os ombros encolhidos durante duas horas deixa marcas no dia seguinte.

Onde aprender

Muitas juntas de freguesia, centros de dia e associações culturais mantêm oficinas de bordado, frequentemente gratuitas. Há também vídeos que mostram os pontos em grande plano, o que para este tipo de aprendizagem funciona particularmente bem.

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E, se tiver em casa peças bordadas por familiares, vale a pena fotografá-las e anotar quem as fez. É património de família e, na maior parte dos casos, ninguém tomou nota.

Começar por um pano pequeno

Um pano de mão bordado com as iniciais de alguém é o primeiro projecto perfeito: pequeno, útil, acaba-se em duas ou três sessões e serve de presente. Terminar o que se começa é, no bordado como em tudo, o que mantém a vontade de continuar.