É uma daquelas artes que quase desapareceu e que voltou pela mão de gente nova. Para quem viu a mãe ou a avó a bordar, pegar numa agulha tem ainda outro sentido, o de continuar qualquer coisa.
Porque faz bem
Pelas mesmas razões do tricô: o movimento repetitivo acalma, a concentração afasta preocupações e o resultado é visível. Trabalha ainda a motricidade fina e a coordenação entre a vista e as mãos.
Ao contrário de outras actividades manuais, ocupa pouco espaço, não faz barulho e transporta-se numa bolsa.
O material para começar
Um bastidor de madeira ou de plástico, de tamanho médio. Tecido de algodão de trama regular, que é o mais fácil para quem começa. Linhas de bordar de seis fios, que se separam conforme a espessura pretendida. Agulhas de bordar, com olho grande. Uma tesoura pequena e afiada.
Tudo isto compra-se por poucos euros em retrosarias, que vão desaparecendo das ruas mas ainda existem em quase todas as cidades.
Quatro pontos resolvem quase tudo
O ponto atrás, para contornos. O ponto cheio, para preencher superfícies. O ponto de nó, para centros de flores e pormenores. E o ponto haste, para caules e linhas curvas. Com estes quatro, faz-se um pano de assinar, uma fronha ou um quadro pequeno.
Comece por um desenho simples, transferido para o tecido com papel próprio ou desenhado a lápis leve.
As nossas tradições
Portugal tem um dos patrimónios de bordado mais ricos da Europa. Os lenços dos namorados de Vila Verde, com as suas frases e erros ortográficos assumidos, que eram declarações de amor bordadas por raparigas. O bordado de Castelo Branco, em seda sobre linho, com as suas colchas. O bordado da Madeira, com certificação própria e séculos de exportação. E ainda Viana do Castelo, Nisa e Guimarães, cada um com pontos e motivos próprios.
Museus como o de Castelo Branco e os núcleos museológicos da Madeira e de Vila Verde têm colecções que valem a visita e que servem de inspiração.
Cuidados com a vista e com as mãos
Trabalhe com muita luz, de preferência natural ou com um candeeiro articulado, e evite fazê-lo à noite em luz fraca, que é como se cansam os olhos depressa. Existem bastidores de pé e lupas com luz, muito úteis a partir de certa idade.
Faça pausas de dez minutos a cada meia hora e alongue as mãos e o pescoço. Bordar com os ombros encolhidos durante duas horas deixa marcas no dia seguinte.
Onde aprender
Muitas juntas de freguesia, centros de dia e associações culturais mantêm oficinas de bordado, frequentemente gratuitas. Há também vídeos que mostram os pontos em grande plano, o que para este tipo de aprendizagem funciona particularmente bem.
E, se tiver em casa peças bordadas por familiares, vale a pena fotografá-las e anotar quem as fez. É património de família e, na maior parte dos casos, ninguém tomou nota.
Começar por um pano pequeno
Um pano de mão bordado com as iniciais de alguém é o primeiro projecto perfeito: pequeno, útil, acaba-se em duas ou três sessões e serve de presente. Terminar o que se começa é, no bordado como em tudo, o que mantém a vontade de continuar.











