O cabelo muda com a idade tal como a pele. Os folículos produzem fios mais finos, o crescimento abranda, a densidade diminui e o couro cabeludo torna-se mais visível. Até aqui, é envelhecimento capilar e acontece a toda a gente.
O que merece atenção é uma queda que aumenta de forma notória em poucos meses, ou zonas que ficam visivelmente mais rarefeitas do que o resto.
O padrão mais comum
Nos homens, a alopecia androgenética manifesta-se pelas entradas e pelo topo da cabeça. Nas mulheres, o padrão é diferente: o cabelo perde densidade sobretudo na zona central, com o risco a alargar, sem recuo da linha frontal.
É hereditária, progressiva e tem tratamentos disponíveis, tópicos e orais, que devem ser avaliados por médico, sobretudo em quem toma outra medicação.
As causas que convém excluir
Antes de assumir que é da idade, há um conjunto de situações a investigar com análises simples: anemia e falta de ferro, doenças da tiroide, défice de vitamina D e de vitamina B12, alterações hormonais e má nutrição, frequente em quem come pouco e sem proteína suficiente.
Há também a queda difusa que surge dois a três meses depois de um acontecimento marcante, como uma cirurgia, uma infecção grave, uma perda de peso rápida ou um luto. Chama-se eflúvio telógeno, assusta muito e é, na maioria dos casos, reversível.
Medicamentos que provocam queda
Anticoagulantes, alguns anti-hipertensores, medicamentos para a tiroide em dose desajustada, antidepressivos, anti-inflamatórios, medicação oncológica e retinoides. Nunca suspenda nada por sua conta: fale com o médico, porque em muitos casos há alternativas.
Sinais que pedem dermatologista
Zonas de queda em placas bem delimitadas, com couro cabeludo liso. Vermelhidão, descamação, crostas, dor ou comichão intensa. Perda de cabelo com cicatriz visível, em que a pele fica lisa e brilhante e o folículo desaparece, situação que exige diagnóstico rápido porque a perda é definitiva.
Cuidados que ajudam
Lavar com a frequência que for confortável, com champô suave, sem receio: lavar não faz cair mais, apenas solta os fios que já estavam prontos a cair. Evitar água muito quente, secador muito próximo e escovas agressivas.
Em cabelos finos, os penteados muito apertados, os ganchos no mesmo sítio e as extensões provocam tracção continuada e podem causar perda permanente na linha frontal.
E não se esqueça do couro cabeludo exposto: em quem tem pouco cabelo, é uma das zonas com mais lesões solares. Chapéu e protector fazem parte do cuidado capilar.
Quanto aos suplementos
Só fazem diferença quando há carência confirmada. Tomar complexos capilares sem análises é, na maior parte dos casos, dinheiro gasto sem resultado. Primeiro o diagnóstico, depois a prateleira.
Disfarçar com jeito
Cortes mais curtos dão sensação de maior densidade do que cabelos compridos e finos. Champôs de volume, secagem com a cabeça para baixo e evitar risco sempre no mesmo sítio ajudam mais do que a maioria dos produtos milagrosos.
Por fim, uma palavra sobre aceitação. A perda de densidade capilar é uma das mudanças mais visíveis do envelhecimento e uma das que mais afecta a auto-estima, sobretudo nas mulheres. Procurar ajuda médica é legítimo, e decidir não fazer nada também.











