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Centros saúde: administradores pedem resposta constante para doente agudo não urgente

Centros saúde: administradores pedem resposta constante para doente agudo não urgente
Forever Young com Lusa

Os administradores hospitalares defendem que o atendimento ao doente agudo não urgente nos centros de saúde deve funcionar todo o ano, juntando-se aos centros de atendimento clínico e às urgências com necessidade de contacto prévio para a linha SNS24.

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), Xavier Barreto, lembra que mudar hábitos (no acesso à saúde) é difícil e demorado e defende que “quanto mais estável for a resposta, melhor”.

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Dando o exemplo de algumas medidas já em curso para desobstruir o acesso às urgências hospitalares, como o acesso referenciado (com necessidade de contacto prévio com a linha SNS24) e os centros de atendimento clínico, para onde são desviados os doentes menos urgentes e que já estão a funcionar em Lisboa, Porto e Coimbra, Xavier Barreto diz que, a estas, se deve juntar uma terceira medida, envolvendo os cuidados de saúde primários.

“Eu acho que temos de juntar a isto uma terceira ideia, que é a de ter uma resposta nos cuidados de saúde primários para o doente agudo não urgente, mais estruturada, mais sustentável ao longo do ano e que não seja só em períodos mais curtos durante o inverno”, afirmou.

Xavier Barreto diz que esta resposta sazonal “deveria ser mais perene ao longo do ano”: “deveríamos ter uma resposta para o doente agudo não urgente, uma porta aberta para estes doentes nos centros de saúde, porque, não a tendo, eles dirigem-se à única que conhecem e que está aberta, que é a urgência hospitalar”.

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Reconhece que isto tem “desafios importantes”, sobretudo em Lisboa, onde há uma baixa cobertura de cuidados de saúde primários, mas defende que “não é impeditivo que se avance nesse sentido”.

“Para além de todas as outras coisas que estão em curso, que são positivas (…), esta é a ideia de envolver mais os cuidados de saúde primários e responsabilizá-los também pelo atendimento ao doente agudo é uma ideia importante e que tem de fazer o seu caminho. Não pode ser só uma coisa sazonal”, sublinhou.

Refere que “uma cultura demora muito tempo a criar”, defendendo que “é mais difícil criá-la se for uma coisa com muita variação [como o atendimento ao doente agudo não urgente nos cuidados primários]”.

E acrescenta: “Se durante o inverno dizem ao doente que é para ir ao centro de saúde, mas depois chega a março e já é para ir ao hospital, as pessoas não percebem”.

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Para esta constância no atendimento ao doente agudo não urgente nos cuidados de saúde primários, Xavier Barreto diz que “os centros de saúde têm de ser capacitados com imagiologia e análises clínicas” para terem capacidade de fazer um diagnóstico e resolver as situações dos doentes.

“Não podem ser só um ponto onde os doentes tocam e são sinalizados ou para se manterem em casa ou para irem ao hospital”, acrescenta, sublinhando: “o doente ter que sentir que tem todos os meios necessários ao seu diagnóstico”.

Defendendo que “as reformas precisam de meses para dar resultados”, lembra que as novas medidas para desbloquear o acesso às urgências começaram há alguns meses: “Não se pode pensar que hábitos criados ao longo de décadas se mudem em dois meses”.

SO // ZO

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Lusa/fim