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Cientistas estudam impacto da microgravidade a nível do desenvolvimento neural (e possíveis implicações para o autismo)

Cientistas estudam impacto da microgravidade a nível do desenvolvimento neural (e possíveis implicações para o autismo)
Sandra M. Pinto

O autismo está a aumentar a um ritmo alarmante, mas as respostas continuam a ser insuficientes. Atualmente, 1 em cada 100 crianças é diagnosticada com Perturbação do Espetro do Autismo (PEA), e estima-se que em Portugal existam mais de 60.000 pessoas autistas.

Pesquisas conduzidas na Estação Espacial Internacional revelam que células cerebrais cultivadas em microgravidade sofrem um aceleramento do envelhecimento ao regressar à Terra. Como refere o Diretor do Sanford Stem Cell Education e do Integrated Space Stem Cell Orbital Research (ISSCOR), California, USA, Alysson Muotri, um dos reputados cientistas e orador neste Congresso, “este fenómeno pode ajudar a compreender fases mais avançadas do autismo, permitindo responder a questões cruciais como a possibilidade de desenvolvimento de epilepsia em crianças autistas ou a reversibilidade do autismo na idade adulta sem comprometer habilidades cognitivas. Estas descobertas abrem novas perspetivas para futuras abordagens terapêuticas.” 

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Apesar dos avanços na investigação, as barreiras no acesso ao diagnóstico, ao ensino, ao emprego e à saúde persistem, deixando milhares de famílias sem suporte adequado.

 

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Nos dias 12 e 13 de abril de 2025, Lisboa será o epicentro do debate e da transformação. A segunda edição do Congresso Europeu do Autismo – da Infância à Vida Adulta reunirá mais de 500 especialistas, investigadores, profissionais de saúde, educadores, famílias e pessoas autistas, com o objetivo de debater ações concretas para um futuro mais inclusivo.

 

Um alerta para ação: dados que exigem respostas urgentes 

  • Apenas 10% das pessoas autistas na União Europeia conseguem emprego formal.
  • diagnóstico precoce é essencial, mas muitas crianças esperam anos por uma avaliação especializada.
  • As escolas e empresas continuam sem adaptação adequada, perpetuando um sistema supressivo.
  • Parlamento Europeu recomenda a harmonização dos direitos das pessoas autistas, mas a implementação é lenta e desigual.

 

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O autismo não pode continuar a ser uma questão secundária. Precisamos de respostas políticas, apoio real às famílias e um compromisso efetivo com a inclusão”, afirma Indihara Horta, Organizadora do Congresso, Mãe Atípica e Especialista em Autismo.

 

Um congresso que une Ciência e Humanidade 

 

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Mais do que um evento académico, o CEA2025 é um congresso baseado em evidências científicas, mas profundamente enraizado na humanização e na inclusão.

 

A investigação científica tem revelado novas perspetivas sobre o autismo, aproximando-nos de soluções mais eficazes e inclusivas. Entre os avanços mais recentes, destacam-se:

  • Genética e Autismo: Variantes no gene DDX53 foram identificadas como possíveis fatores-chave no desenvolvimento do autismo, ajudando a explicar a maior prevalência da condição em indivíduos do sexo masculino.
  • Impacto Metabólico: Estudos indicam que as alterações metabólicas durante o período gestacional podem ter um papel determinante na manifestação do autismo, reforçando a interação entre fatores ambientais e genéticos.
  • Ligação Genética-Cerebral: Pela primeira vez, foi estabelecida uma relação entre fatores genéticos e alterações estruturais e celulares no cérebro, abrindo caminho para terapias mais eficazes e personalizadas.

 

Estas descobertas são fundamentais para um futuro mais acessível e igualitário para as pessoas autistas e suas famílias, reforçando a necessidade de abordagens multidisciplinares e humanizadas na investigação do autismo.

 

Por outro lado, dando voz e palco a pais e mães atípicas e a pessoas autistas, este será um encontro onde a ciência e a experiência de vida caminham lado a lado. Porque a verdadeira mudança só acontece quando aqueles que vivem a realidade do autismo estão no centro da conversa.