Medir a tensão em casa é uma das melhores decisões de quem tem hipertensão ou está no limiar. Mas um aparelho fiável não corrige um método errado, e há um punhado de erros comuns que chegam para mudar o número o suficiente para levar a decisões clínicas mal fundamentadas.
Antes de medir
A preparação vale tanto como o aparelho.
Não fumar nem ingerir cafeína nos 30 minutos anteriores. Esvaziar a bexiga, porque estar com vontade eleva temporariamente os valores. E, sobretudo, ficar sentado em repouso pelo menos cinco minutos antes de começar.
Esse último ponto é o mais ignorado de todos. Medir logo a seguir a subir escadas, a discutir ou a chegar da rua não mede a tensão em repouso, mede outra coisa.
A posição
Sentado, com as costas encostadas, os pés assentes no chão e as pernas não cruzadas.
O braço deve estar apoiado e ao nível do coração. É o erro com efeito mais mensurável: um braço abaixo desse nível acrescenta pontos à leitura, um braço acima retira-os.
Durante a medição, não falar, não rir e não ver televisão. Falar eleva a pressão de forma imediata.
Quantas vezes
Devem fazer-se pelo menos duas medições e calcular a média. Uma leitura isolada não descreve nada, porque a tensão oscila ao longo do dia e entre batimentos.
O aparelho certo
A recomendação é clara: aparelho automático eletrónico de braço, clinicamente validado, com braçadeira adequada ao perímetro do braço.
Os monitores de pulso e de dedo não são recomendados, porque fornecem leituras menos fiáveis. São mais cómodos e é por isso que se vendem, mas a comodidade custa exatidão.
A braçadeira merece atenção própria. Uma braçadeira demasiado apertada eleva os valores, uma demasiado folgada tende a reduzi-los. Quem tem braço largo precisa de braçadeira grande, e usar a que veio na caixa pode não servir.
O número de referência é outro em casa
Esta é a informação que mais surpreende quem começa a medir-se em casa e se assusta ou se tranquiliza sem razão.
Considera-se normal uma tensão inferior a 135/85 mmHg nas medições feitas em casa, e inferior a 140/90 mmHg quando medida no consultório.
Os limiares são diferentes porque o contexto é diferente. No consultório existe o chamado efeito da bata branca, que eleva os valores em muitas pessoas. Em casa, esse efeito não existe, e por isso o limiar é mais exigente.
O que fazer com os números
Registar. Um caderno com data, hora e os dois valores de cada medição vale mais numa consulta do que qualquer descrição de memória.
E não alterar medicação por conta própria a partir de uma leitura isolada. O objetivo de medir em casa não é reagir a cada número, é dar ao médico uma série temporal que a consulta, por definição, não consegue produzir.
Com que frequência medir
Medir todos os dias, várias vezes ao dia, costuma ser contraproducente: gera ansiedade, e a ansiedade sobe a tensão. Salvo indicação médica diferente, a prática habitual passa por concentrar as medições em períodos curtos, por exemplo durante uma semana antes de uma consulta, com uma medição de manhã e outra ao final do dia, sempre à mesma hora.
Convém ainda validar o aparelho de vez em quando. Levá-lo à consulta e comparar a leitura com a do equipamento do profissional de saúde é a forma mais simples de perceber se está a medir bem.











