Durante décadas, a resposta a «o que gosta de fazer?» foi quase sempre a mesma: trabalhar e tratar da família. Quando esse ritmo abranda, muita gente descobre que não sabe bem o que fazer com o tempo. E, no entanto, é aqui que começa uma das fases mais interessantes da vida, desde que se dê o primeiro passo.
A investigação sobre envelhecimento é consistente num ponto: manter a cabeça ocupada com actividades novas e exigentes, em convívio com outras pessoas, associa-se a melhor humor, melhor memória e mais autonomia ao longo dos anos. Não é preciso talento nem grandes despesas.
Escolher pelo que se quer sentir
Em vez de perguntar «o que é que eu sei fazer?», experimente perguntar «o que quero sentir?». Quem procura calma pode dar-se bem com jardinagem, pintura, costura ou cerâmica. Quem procura convívio deve escolher actividades de grupo: coros, danças de salão, grupos de caminhada, teatro amador, clubes de leitura. Quem quer desafio mental pode preferir línguas, história, informática, fotografia ou música.
Onde procurar perto de casa
As universidades seniores existem em quase todos os concelhos, com mensalidades simbólicas e dezenas de disciplinas, e as inscrições abrem sobretudo em Setembro. As juntas de freguesia têm programas de actividades para maiores de 60 anos, muitas vezes gratuitos, e as bibliotecas municipais organizam clubes de leitura, oficinas de escrita e sessões de informática.
Há ainda as associações recreativas, os ranchos e as bandas filarmónicas, que precisam sempre de gente, as escolas de música com turmas para adultos, os museus com visitas temáticas e os centros de dia, que muitas vezes abrem as actividades a quem vive em casa própria.
As regras que facilitam a vida
Três conselhos ajudam a que a coisa pegue. Experimente antes de decidir: a maioria dos sítios deixa assistir a uma aula. Comece pequeno, uma vez por semana, e só aumente quando a actividade já fizer parte da rotina. E leve alguém, porque é muito mais fácil aparecer da primeira vez com companhia, seja o cônjuge, um vizinho ou um amigo.
E se já não tiver a mesma destreza?
Quase todas as actividades se podem adaptar. Quem tem artrose nas mãos pode preferir cerâmica em vez de bordados finos; quem ouve mal deve escolher salas pequenas e sentar-se à frente; quem já não conduz à noite pode procurar turmas de manhã. Vale a pena dizer ao professor, no primeiro dia, o que o preocupa: na maioria dos casos há solução.
Se o problema for o dinheiro, procure as opções gratuitas antes de desistir: além das juntas de freguesia e das bibliotecas, há museus com entrada livre em certos dias, grupos de caminhada organizados por centros de saúde e associações que oferecem aulas em troca de pequenas ajudas na organização.
Por fim, uma nota sobre a idade. Não há prazo de validade para aprender. Há quem comece a tocar piano aos 70 anos, a nadar aos 75 ou a escrever as memórias aos 80. O que muda não é a capacidade de aprender, é o tempo que se leva, e isso, nesta fase da vida, costuma sobrar.











