Quase todas as famílias têm uma caixa, um álbum ou uma gaveta com fotografias em papel. E quase todas adiam a decisão de fazer alguma coisa com elas. O problema é que o papel, os negativos e sobretudo os diapositivos degradam-se, e o momento em que ainda há quem saiba identificar as pessoas nas imagens também tem prazo.
Comece pelo que corre mais risco
Nem tudo se degrada ao mesmo ritmo, e a ordem de prioridade não é a cronológica.
As fotografias a cores das décadas de 1970 e 1980 estão entre as mais frágeis, por causa dos processos químicos usados na altura, e é comum já apresentarem viragem para tons rosados ou alaranjados.
Os diapositivos e os negativos exigem atenção própria: ocupam pouco espaço, sobrevivem esquecidos em caixas, e contêm frequentemente imagens que nunca chegaram a ser impressas.
As fotografias a preto e branco antigas, ao contrário do que a intuição sugere, costumam estar em melhor estado.
Digitalizar com que qualidade
A regra prática é digitalizar melhor do que aquilo de que precisa hoje, porque não vai querer repetir o trabalho.
Para fotografias em papel, uma resolução na ordem dos 600 pontos por polegada é suficiente para arquivo e permite ampliar mais tarde. Para negativos e diapositivos é preciso muito mais, porque o original é pequeno e a ampliação é maior.
Guardar em formato JPEG de alta qualidade serve para a maioria dos casos. Quem quiser preservar o máximo de informação pode guardar também em TIFF, que ocupa muito mais espaço.
Com que equipamento
Há três caminhos, com custos e resultados diferentes.
O scanner plano doméstico dá bons resultados com fotografias em papel e é lento. Modelos com adaptador para transparências resolvem também negativos e diapositivos.
O telemóvel é a opção mais rápida e hoje dá resultados surpreendentes com fotografias em papel, desde que haja luz uniforme, a fotografia esteja plana e a câmara fique paralela à superfície. Existem aplicações que corrigem a perspetiva e os reflexos.
Os serviços de digitalização profissionais compensam em volumes grandes e são a única via razoável para bobinas de filme e cassetes de vídeo.
A parte que ninguém faz e que dá mais valor
Digitalizar sem identificar produz uma pasta com milhares de ficheiros que ninguém consegue interpretar daqui a vinte anos.
O trabalho verdadeiramente insubstituível é identificar as pessoas, os locais e as datas, e só há uma janela para o fazer: enquanto estiverem vivas as pessoas que sabem. Uma tarde com um familiar mais velho e um caderno vale mais do que qualquer scanner.
A regra das três cópias
Um arquivo digital que existe num único sítio não é um arquivo, é um risco. A regra usada em preservação é simples: três cópias, em dois tipos de suporte diferentes, uma delas fora de casa.
Na prática: o computador, um disco externo, e uma cópia na nuvem ou em casa de um familiar. Um incêndio, um roubo ou uma avaria de disco deixam de ser catastróficos.
E vale a pena verificar as cópias uma vez por ano. Discos externos guardados durante uma década sem nunca serem ligados falham com mais frequência do que se imagina.










