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Como salvar as fotografias de família antes que se percam

Fotografias antigas de família espalhadas numa mesa junto a um scanner
Maria Isadora Ribeiro

As caixas de sapatos com fotografias têm prazo de validade, e os negativos e diapositivos têm-no ainda mais curto. Há uma ordem certa para fazer isto.

Quase todas as famílias têm uma caixa, um álbum ou uma gaveta com fotografias em papel. E quase todas adiam a decisão de fazer alguma coisa com elas. O problema é que o papel, os negativos e sobretudo os diapositivos degradam-se, e o momento em que ainda há quem saiba identificar as pessoas nas imagens também tem prazo.

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Comece pelo que corre mais risco

Nem tudo se degrada ao mesmo ritmo, e a ordem de prioridade não é a cronológica.

As fotografias a cores das décadas de 1970 e 1980 estão entre as mais frágeis, por causa dos processos químicos usados na altura, e é comum já apresentarem viragem para tons rosados ou alaranjados.

Os diapositivos e os negativos exigem atenção própria: ocupam pouco espaço, sobrevivem esquecidos em caixas, e contêm frequentemente imagens que nunca chegaram a ser impressas.

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As fotografias a preto e branco antigas, ao contrário do que a intuição sugere, costumam estar em melhor estado.

Digitalizar com que qualidade

A regra prática é digitalizar melhor do que aquilo de que precisa hoje, porque não vai querer repetir o trabalho.

Para fotografias em papel, uma resolução na ordem dos 600 pontos por polegada é suficiente para arquivo e permite ampliar mais tarde. Para negativos e diapositivos é preciso muito mais, porque o original é pequeno e a ampliação é maior.

Guardar em formato JPEG de alta qualidade serve para a maioria dos casos. Quem quiser preservar o máximo de informação pode guardar também em TIFF, que ocupa muito mais espaço.

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Com que equipamento

Há três caminhos, com custos e resultados diferentes.

O scanner plano doméstico dá bons resultados com fotografias em papel e é lento. Modelos com adaptador para transparências resolvem também negativos e diapositivos.

O telemóvel é a opção mais rápida e hoje dá resultados surpreendentes com fotografias em papel, desde que haja luz uniforme, a fotografia esteja plana e a câmara fique paralela à superfície. Existem aplicações que corrigem a perspetiva e os reflexos.

Os serviços de digitalização profissionais compensam em volumes grandes e são a única via razoável para bobinas de filme e cassetes de vídeo.

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A parte que ninguém faz e que dá mais valor

Digitalizar sem identificar produz uma pasta com milhares de ficheiros que ninguém consegue interpretar daqui a vinte anos.

O trabalho verdadeiramente insubstituível é identificar as pessoas, os locais e as datas, e só há uma janela para o fazer: enquanto estiverem vivas as pessoas que sabem. Uma tarde com um familiar mais velho e um caderno vale mais do que qualquer scanner.

A regra das três cópias

Um arquivo digital que existe num único sítio não é um arquivo, é um risco. A regra usada em preservação é simples: três cópias, em dois tipos de suporte diferentes, uma delas fora de casa.

Na prática: o computador, um disco externo, e uma cópia na nuvem ou em casa de um familiar. Um incêndio, um roubo ou uma avaria de disco deixam de ser catastróficos.

E vale a pena verificar as cópias uma vez por ano. Discos externos guardados durante uma década sem nunca serem ligados falham com mais frequência do que se imagina.