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Compostagem caseira: transformar restos de cozinha em terra para as plantas

Compostagem caseira: transformar restos de cozinha em terra para as plantas
Fernanda M. Reis

Um terço do lixo de uma casa é matéria orgânica. Com um compostor e algumas regras, deixa de ir para o contentor e volta para os vasos.

Cascas de batata, borras de café, folhas secas, restos de fruta. Boa parte do que sai de uma cozinha portuguesa é matéria orgânica que, no aterro, produz gases com efeito de estufa, e que no quintal produz composto. A diferença está apenas no destino.

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O princípio, em duas palavras

Compostar é deixar que microrganismos decomponham matéria orgânica na presença de ar. Para que funcione bem, precisam de três coisas: equilíbrio entre materiais, humidade moderada e oxigénio.

Verdes e castanhos

Os verdes são húmidos e ricos em azoto: restos de fruta e legumes, borras de café e filtros, saquetas de chá, erva cortada, folhas frescas. Os castanhos são secos e ricos em carbono: folhas secas, palha, serradura de madeira não tratada, cartão sem tinta, caixas de ovos, aparas de poda.

A regra prática é usar mais castanhos do que verdes, em volume, e cobrir sempre os restos de cozinha com uma camada de material seco. É isso que evita cheiros e moscas, que são a razão pela qual a maioria das pessoas desiste.

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O que não deve entrar

Carne, peixe, ossos, lacticínios e comida cozinhada com gordura, porque atraem roedores e cheiram mal. Fezes de animais domésticos. Plantas doentes e infestantes com semente. Cinzas de churrasco com acendalhas. E nada de plásticos, vidros ou embalagens ditas biodegradáveis que não sejam certificadas para compostagem doméstica.

Onde compostar

Com quintal, um compostor fechado ou uma pilha num canto com sombra resolvem. Muitas câmaras municipais distribuem compostores domésticos gratuitamente ou a preço reduzido, com formação incluída, e vale a pena perguntar.

Sem quintal, há a vermicompostagem, feita numa caixa com minhocas, que cabe numa varanda ou numa arrecadação, não cheira quando bem gerida e produz um composto de excelente qualidade.

Manutenção

Revolver a mistura de duas em duas semanas, com uma forquilha ou um pau, para arejar. Manter a humidade de esponja espremida: se estiver a escorrer, acrescente castanhos; se estiver seco e pulverulento, regue.

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Cheiro a podre significa falta de ar ou excesso de húmidos. Moscas significam restos destapados. Ambos se corrigem com uma boa camada de folhas secas e uma revolvida.

Quando está pronto

Entre três e seis meses, consoante a época do ano, o tamanho dos materiais e a frequência com que se revolve. Está pronto quando fica escuro, esfarelado, com cheiro a terra de floresta e sem se reconhecerem os ingredientes originais.

Como usar

Misturado na terra dos vasos, em cerca de um quinto do volume, ou espalhado à superfície dos canteiros. Nas plantas de interior e nas ervas aromáticas da varanda, nota-se a diferença ao fim de poucas semanas.

E há um efeito colateral que ninguém antecipa: passar a olhar para o balde do lixo de outra maneira, porque metade dele deixou de ser lixo.

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Quando não compostar

Se a casa não tem espaço exterior nem lugar para uma caixa, e o município já dispõe de recolha de resíduo orgânico, a melhor opção é usar essa recolha. O objectivo é o mesmo, desviar matéria orgânica do aterro, e não vale a pena criar em casa um problema de cheiros para o atingir.