Numa altura em que o custo de vida continua a pesar no orçamento das famílias, comprar em segunda mão deixou de ser um desenrasque para se tornar uma escolha racional. E os números mostram porquê. Segundo o relatório de impacto do Grupo OLX, que em Portugal detém os portais OLX, Standvirtual e Imovirtual, comprar um automóvel usado permite poupar, em média, 2.890 euros face à compra de um carro novo.
A poupança estende-se a outras categorias de valor elevado. Numa mota usada, a diferença média chega aos 1.539 euros. Nos equipamentos electrónicos, a compra em segunda mão representa em média menos 532 euros num computador portátil, 413 euros num smartphone, 222 euros numa televisão e 194 euros num tablet. Os cálculos, sublinha o relatório, já têm em conta que os produtos usados podem ter uma vida útil mais curta do que os novos.
Também compensa vender
O benefício não é só para quem compra. A venda de um automóvel em segunda mão rende, em média, 8.537 euros, e a de uma mota 2.676 euros. Nos electrónicos, os valores médios de venda são de 218 euros para um portátil, 217 euros para um smartphone, 168 euros para um tablet e 98 euros para uma televisão.
Só na electrónica, entre Abril de 2025 e Março de 2026, o grupo registou 2,3 milhões de transacções nos vários países onde opera, que permitiram aos vendedores encaixar 311 milhões de euros e aos compradores poupar cerca de 350 milhões face à compra de produtos novos.
Um impacto que vai além da carteira
O relatório destaca ainda o contributo ambiental. Nos sete países analisados, entre os quais Portugal, mais de 5,9 milhões de transacções de produtos usados evitaram 1,78 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono equivalente e o consumo de 155 mil milhões de litros de água. Cada carro usado que muda de mãos representa, em média, uma poupança estimada de 1.262 quilos de emissões e 119 mil litros de água, por comparação com a produção de um novo.
«O mercado de usados ganha cada vez mais relevância, não só por oferecer soluções acessíveis aos consumidores, mas também por prolongar a vida útil dos veículos e seus componentes», afirma Pedro Soares, responsável de vendas do Standvirtual.
Cuidados antes de comprar um carro usado
A poupança só compensa se a compra for bem feita. Antes de fechar negócio, vale a pena confirmar o historial de manutenção e as inspecções, pedir o documento único automóvel e verificar se o vendedor é o proprietário registado e se não há ónus ou penhoras sobre o veículo. Um test drive demorado, de preferência com alguém que perceba de mecânica, e uma revisão numa oficina de confiança antes do pagamento podem evitar surpresas caras.
Na compra a um profissional, o carro usado tem garantia legal, o que dá uma segurança adicional. Entre particulares, a protecção é menor, e todo o cuidado é pouco.
E o carro que já não se usa?
Para muitos leitores, a pergunta pode ser a inversa: o que fazer ao segundo carro que passa a maior parte do tempo parado na garagem, ou ao automóvel que deixou de fazer sentido depois da reforma? Com um valor médio de venda acima dos oito mil euros, vender pode libertar dinheiro, poupar no seguro, no imposto de circulação e na manutenção, e ainda dar uma segunda vida a um carro que, de outra forma, se ia degradando parado.











