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Comprar casa em Portugal já custa 3.210 euros por metro quadrado e bate novo recorde

Comprar casa em Portugal já custa 3.210 euros por metro quadrado e bate novo recorde
Rogério Junior

Os preços da habitação voltaram a subir em julho e atingiram o valor mais alto de sempre, pelo nono mês seguido, segundo o índice do idealista. Mas há capitais de distrito onde a subida anual chegou aos 20% e outras onde ficou pelos 4%, e o mapa das oportunidades mudou de lugar.

Comprar casa em Portugal nunca foi tão caro. Em julho de 2026, o preço mediano da habitação à venda chegou aos 3.210 euros por metro quadrado, um novo máximo histórico que se repete pelo nono mês consecutivo. Os dados são do índice de preços do idealista, divulgado a 3 de agosto, e mostram uma subida de 8% em relação ao mesmo mês de 2025.

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O ritmo abrandou ligeiramente, já que em junho a variação anual tinha sido de 8,9%, mas a tendência de fundo mantém-se: os preços continuam a aumentar e a renovar máximos. Em termos trimestrais, os valores mantiveram-se estáveis, com uma variação de apenas 0,4%.

Viseu, Portalegre e Guarda lideram as subidas

Em julho, os preços subiram em todas as 20 capitais de distrito e regiões autónomas analisadas, mas com diferenças acentuadas de cidade para cidade. As maiores valorizações anuais registaram-se longe das grandes metrópoles:

  1. Viseu: 20,2%
  2. Portalegre: 19,9%
  3. Guarda: 18,7%
  4. Vila Real: 18,1%
  5. Bragança: 17,8%

Logo a seguir aparecem Leiria (17%), Faro (17%), Santarém (16,7%), Beja (15,8%) e Coimbra (15,1%). Também Viana do Castelo (13,4%), Braga (13,1%), Aveiro (13,1%), Évora (12,5%) e Castelo Branco (11,8%) registaram aumentos expressivos.

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Do outro lado da tabela ficaram os aumentos mais moderados: Setúbal (9,1%), Porto (8,4%), Funchal (8,2%), Ponta Delgada (5,1%) e Lisboa (4,1%).

Seis mil euros por metro quadrado em Lisboa, mil em Castelo Branco

Em valor absoluto, Lisboa continua a ser a cidade onde é mais caro comprar casa, com um preço mediano de 6.260 euros/m2. Seguem-se o Porto (4.276 euros/m2), o Funchal (4.036 euros/m2), Faro (3.885 euros/m2) e Setúbal (3.188 euros/m2).

Depois destas, os valores descem de forma acentuada: Aveiro (2.823 euros/m2), Évora (2.684 euros/m2), Ponta Delgada (2.529 euros/m2), Coimbra (2.442 euros/m2), Braga (2.382 euros/m2) e Viana do Castelo (2.318 euros/m2).

Há ainda nove capitais de distrito onde o metro quadrado fica abaixo dos 2.000 euros:

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  • Leiria: 1.927 euros/m2
  • Viseu: 1.819 euros/m2
  • Santarém: 1.805 euros/m2
  • Beja: 1.536 euros/m2
  • Vila Real: 1.432 euros/m2
  • Portalegre: 1.227 euros/m2
  • Bragança: 1.125 euros/m2
  • Guarda: 1.092 euros/m2
  • Castelo Branco: 1.041 euros/m2

Castelo Branco mantém-se, assim, como a capital de distrito mais barata do país. A diferença para Lisboa é expressiva: o preço mediano na capital é cerca de seis vezes superior ao da cidade albicastrense.

Santarém e Viseu lideram entre distritos e ilhas

Olhando para os 21 distritos e ilhas analisados, o cenário repete-se: todos registaram subidas no último ano. A maior valorização coube a Santarém (23,2%), seguida de Viseu (22,7%), Coimbra (18,3%), Évora (17,4%) e Beja (15,9%).

Com aumentos igualmente fortes surgem Guarda (15,4%), Portalegre (15,1%), Leiria (14,8%), Braga (14,3%), Aveiro (14,1%), Viana do Castelo (13%) e Setúbal (11,1%). Mais contidos ficaram Porto Santo (10,8%), Castelo Branco (10,5%), a ilha da Madeira (10,1%), Vila Real (9%), Bragança (8,3%), Faro (8,3%), Porto (7,5%), a ilha de São Miguel (6,7%) e Lisboa (4,8%).

No ranking de preços, Lisboa é o distrito mais caro (4.781 euros/m2), à frente de Faro (4.165 euros/m2), da ilha de Porto Santo (3.802 euros/m2), da ilha da Madeira (3.788 euros/m2) e de Setúbal (3.446 euros/m2). Seguem-se o Porto (3.153 euros/m2) e a ilha de São Miguel (2.365 euros/m2).

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Na zona intermédia da tabela ficam Aveiro (2.111 euros/m2), Leiria (2.036 euros/m2), Braga (2.010 euros/m2), Évora (1.760 euros/m2), Viana do Castelo (1.738 euros/m2), Coimbra (1.702 euros/m2) e Santarém (1.674 euros/m2). E na base surgem Beja (1.522 euros/m2), Viseu (1.231 euros/m2), Vila Real (1.054 euros/m2), Portalegre (992 euros/m2), Castelo Branco (972 euros/m2), Bragança (860 euros/m2) e a Guarda (721 euros/m2), o distrito mais barato do país.

Centro sobe mais, Lisboa trava

Por regiões, a fotografia dos últimos 12 meses mostra subidas em todo o país. O Centro foi a região que mais valorizou (15,1%), seguida do Alentejo (14,7%), da Região Autónoma dos Açores (11%), da Região Autónoma da Madeira (10,3%), do Algarve (8,3%) e do Norte (7,6%). A Área Metropolitana de Lisboa fechou a lista, com a subida mais moderada de todas (5,6%).

Ainda assim, é na Área Metropolitana de Lisboa que se paga mais para comprar casa, com um preço mediano de 4.463 euros/m2, seguida do Algarve (4.165 euros/m2) e da Madeira (3.788 euros/m2). Depois vêm o Norte (2.622 euros/m2), o Alentejo (2.152 euros/m2) e os Açores (2.053 euros/m2).

O Centro, curiosamente a região que mais subiu, continua a ser a mais barata do país para adquirir habitação, com 1.764 euros/m2.

Como são calculados estes valores

O idealista reviu recentemente a metodologia do seu índice de preços da habitação para acompanhar a evolução do mercado. Os novos filtros permitem excluir do cálculo produtos que não refletem o mercado residencial convencional, como o arrendamento sazonal ou de férias, e foi reforçada a deteção de valores anómalos através de técnicas estatísticas mais robustas. A nova metodologia foi aplicada retroativamente a toda a série histórica, garantindo a comparabilidade dos dados ao longo do tempo.

O índice trabalha sobre os preços de oferta anunciados na plataforma, calculados com base nos metros quadrados construídos. São eliminados os anúncios atípicos e com preços fora de mercado, incluída a tipologia de moradias unifamiliares e descartados os anúncios que há muito não registam qualquer interação por parte dos utilizadores. O valor final de cada mercado resulta da mediana de todos os anúncios considerados válidos.