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Crédito à habitação atinge em Julho o valor mais alto do ano

Crédito à habitação atinge em Julho o valor mais alto do ano
Georgia Gonçalves

Os novos contratos chegaram aos 2.836 milhões de euros e a taxa mista bateu um recorde. Mas a taxa de juro média voltou a subir, e isso pesa em quem compra casa.

O mercado do crédito à habitação registou em Julho o valor mais elevado de 2026. Segundo o barómetro mensal da Simplefy, intermediária de crédito, o montante total de novos contratos subiu para 2.836 milhões de euros, enquanto o crédito regular, excluindo renegociações, chegou aos 2.342 milhões.

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É o quinto mês consecutivo acima dos dois mil milhões de euros, uma sequência que a Simplefy classifica como inédita na série e que confirma a solidez da procura.

Menos renegociações, mais compras

O peso das renegociações de contratos recuou para 17,43% da actividade, um novo mínimo histórico. Na leitura da Simplefy, o mercado passou definitivamente para uma dinâmica dominada pelo crédito novo, ou seja, pela compra de casa, e não pela revisão de empréstimos antigos.

Taxa mista em máximo histórico

A taxa mista, que combina um período inicial de taxa fixa com uma fase posterior de taxa variável, representou 85,88% dos novos contratos, também um recorde. Ao mesmo tempo, a taxa de juro média dos novos empréstimos subiu para 2,95%.

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“Julho reforçou a tendência que temos vindo a observar ao longo de 2026: a procura por crédito à habitação mantém-se robusta, apesar de um contexto económico ainda exigente”, afirma Rui Lopes, CEO da Simplefy, sublinhando que as famílias “continuam a privilegiar soluções que conciliem acesso ao crédito com maior previsibilidade financeira”.

O contexto económico

No plano macroeconómico, o barómetro aponta para um crescimento do PIB de 2,5%, o valor mais alto do ano, uma inflação a moderar para 3,04% e uma confiança dos consumidores no nível mais favorável desde o início de 2026. O valor da avaliação bancária das casas continua a subir e atingiu 2.240 euros por metro quadrado, novo máximo histórico.

O que isto significa para quem tem mais de 50 anos

Para quem ajuda filhos a comprar casa, estes números confirmam um mercado exigente: preços em máximos e juros a subir ligeiramente. Antes de avançar como fiador, convém ter presente que a fiança pode comprometer o próprio património e a capacidade de obter crédito no futuro, e que existem alternativas, como garantias públicas para jovens, que vale a pena explorar primeiro.

Para quem ainda tem crédito à habitação, a descida das renegociações não significa que deixou de compensar comparar. Pedir uma simulação a outros bancos antes de uma revisão de taxa, ou quando a taxa fixa inicial está a chegar ao fim, continua a ser das formas mais eficazes de poupar.

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E para quem pensa comprar casa depois dos 50, vale lembrar que os bancos impõem limites à idade no fim do contrato, o que encurta o prazo e aumenta a prestação. Uma entrada maior ou um prazo mais curto negociado desde o início evita surpresas.

Taxa mista ou variável?

A preferência pela taxa mista explica-se pela previsibilidade: durante os primeiros anos a prestação não muda. O reverso é que essa segurança costuma ter um custo inicial mais alto do que a taxa variável. Para quem tem rendimento fixo, como uma pensão, a previsibilidade tende a pesar mais do que a eventual poupança, mas a decisão deve ser feita com várias simulações lado a lado.