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Cuidadores informais ainda à espera de medidas aprovadas há mais de um ano

Cuidadores informais ainda à espera de medidas aprovadas há mais de um ano
Forever Young

Revela a vice-presidente da Associação Nacional de Cuidadores Informais

A Associação Cuidadores de Portugal e a Associação Nacional de Cuidadores Informais alertaram hoje, quando se assinala o Dia Europeu do Cuidador, que continuam a faltar medidas previstas no Estatuto do Cuidador, aprovado há mais de um ano, avança a Lusa.

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Em comunicado, as duas associações, com o apoio da rede europeia de cuidadores Eurocarers e das frentes sindicais da UGT e da CGTP, aproveitam a data para lembrar que são precisas medidas efetivas que promovam uma melhor conciliação entre trabalho e prestação de cuidados e que continuam à espera de algumas das medidas previstas no Estatuto do Cuidador.

Em declarações à agência Lusa, a vice-presidente da Associação Nacional de Cuidadores Informais denunciou a falta de publicação das portarias relativas ao apoio domiciliário ou ao descanso do cuidador, que deveriam ter saído em janeiro de 2022.

“Houve, [entretanto], a promessa da senhora Secretária de Estado da Inclusão de que sairia em janeiro deste ano. Estamos em outubro, ainda não saíram as portarias”, criticou Maria dos Anjos Catapirra.

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Segundo a responsável, os cuidadores continuam sem usufruir de apoio domiciliário, “uma medida extremamente importante de apoio ao cuidador”, que lhes daria a possibilidade de “sair nem que fosse uma, duas vezes por semana, uma hora, duas horas”.

Já no que diz respeito ao descanso do cuidador, deu o seu próprio exemplo para demonstrar a importância da medida, apontando que não tem um único dia livre em que possa sair de casa, e alertando que as pessoas cuidadoras “estão cansadas”.

“A grande maioria de nós não tem condições nem suporte familiar para deixar alguém a apoiar as nossas pessoas cuidadas para poder sair. E este sair não é férias, é sair para as mais variadas coisas, como, por exemplo, ir ao médico”, afirmou.

Contou que, no seu caso, para conseguir ir a uma consulta, tem de pedir a alguém que “faça o favor de ficar uma tarde inteira” a cuidar da mãe.

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Maria dos Anjos Catapirra apontou também como imperativa a aprovação e implementação dos planos de intervenção específica, defendendo que não é suficiente a indicação de um profissional de saúde de referência e um assistente social.

Denunciou a falta do apoio psicológico necessário e criticou que em alguns casos os grupos de autoajuda impliquem que o cuidador saia de casa.

Relativamente à articulação entre a prestação de cuidados e o trabalho, as duas associações alertam que, apesar da aprovação da Agenda do Trabalho Digno, “a muitos cuidadores informais não é permitido condições fundamentais como a flexibilidade do horário, nem a eliminação do trabalho suplementar ou mesmo a redução de horário”.

Defendem que os “cuidadores informais são a coluna vertebral dos sistemas sociais e de saúde” e que, por isso, estão a substituir o Estado, razão pela qual entendem que estas pessoas deveriam ter o direito a pedir uma licença paga de média ou longa duração, “de acordo com as necessidades da pessoa cuidada” com “reconhecimento automático para contabilização de tempo de reforma”.

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“Infelizmente, as condições de atribuição do estatuto do cuidador informal em Portugal continuam muito limitativas em termos de elegibilidade e um subsídio de cuidador que não chega ao salário mínimo nacional revela o longo caminho que se tem pela frente para a promoção da dignidade dos cuidadores informais”, criticam.