Há uma ginástica que ninguém falta e da qual toda a gente sai a sorrir. A dança de salão tem uma vantagem sobre quase todas as formas de exercício: é divertida, e por isso as pessoas continuam a fazê-la ao fim de meses e de anos, que é onde a maioria dos planos de exercício falha.
O que a dança treina ao mesmo tempo
Resistência cardiovascular, coordenação, equilíbrio, flexibilidade e memória. Aprender e recordar sequências de passos, seguir o ritmo da música e reagir ao par exige um trabalho cerebral que os investigadores classificam como duplo, físico e cognitivo, e que tem sido associado a benefícios na memória e na velocidade de processamento em adultos mais velhos.
Há ainda estudos que apontam a dança como uma das actividades com melhores resultados na prevenção de quedas, precisamente por treinar mudanças de direcção e transferências de peso.
Estilos mais acessíveis
Valsa, bolero, foxtrote e chá-chá-chá estão entre os mais praticados nas aulas para adultos, por terem ritmos regulares e passos base simples. Em Portugal, há ainda a tradição dos bailes populares, com valsa, marcha, corridinho e vira, que continuam vivos em colectividades por todo o país.
Quem prefere dançar sozinho tem alternativas: dança sénior, um método criado precisamente para ser feito sentado ou de pé em roda, e as aulas de ritmos que dispensam par.
Dançar em casa também conta
Para quem não tem aulas por perto, meia hora de música em casa, com os passos que se souberem, tem praticamente os mesmos benefícios físicos. Basta um espaço livre de tapetes e móveis, calçado adequado e uma lista de músicas da juventude, que tem a vantagem de trazer a memória à festa.
Onde há aulas
Colectividades e associações recreativas, escolas de dança com turmas de manhã ou ao fim da tarde, universidades seniores, juntas de freguesia e centros de dia. Muitas escolas oferecem a primeira aula gratuita, e é a melhor forma de perceber se o ambiente agrada.
Cuidados
Calçado com sola lisa mas não escorregadia, que permita rodar sem prender no chão. Aquecimento antes de começar e alguns alongamentos no fim. Beber água. E adaptar a intensidade: dançar não obriga a rodopios, e um bom professor ajusta os passos a quem tem próteses, artroses ou tonturas.
Quem tem problemas cardíacos ou vertigens deve falar com o médico antes de começar, como em qualquer actividade nova.
Ir sozinho também resulta
Muita gente não se inscreve por não ter par. Nas escolas e nas colectividades, isso resolve-se: as aulas costumam ter rotação de pares e há sempre mais pessoas na mesma situação, sobretudo mulheres. Aparecer sozinho é, aliás, uma das formas mais rápidas de conhecer gente nova.
A parte que não se mede
Há um benefício que nenhum estudo capta bem: o toque e a companhia. Numa fase da vida em que muitas pessoas passam dias sem contacto físico com ninguém, dar a mão e dançar com alguém é, por si só, uma forma de cuidado. Não é por acaso que tantos frequentadores dos bailes dizem que ali fizeram os amigos que agora lhes telefonam quando faltam.











