Há um número neste estudo que merece ser lido com algum orgulho. Perguntados se alguma vez viajaram para um destino que não estava nos seus planos só por influência das redes sociais, 71% dos portugueses entre os 55 e os 64 anos responderam que não. Entre os maiores de 65, foram 69%. Na faixa dos 45 aos 54, 67%.
Os dados são da eDreams, agência de viagens online, que repetiu este ano um estudo que já tinha feito em 2024. E mostram uma coisa interessante: quanto mais idade tem o viajante português, menos se deixa levar por uma fotografia bonita no telemóvel.
O país inteiro está a ficar mais céptico
A tendência não é só nossa. Olhando para o conjunto dos portugueses, 58% dizem nunca ter escolhido um destino por influência das redes, contra 38% que admitem já o ter feito.
Há dois anos os números eram outros. Em 2024, quase metade, 49%, dizia já ter viajado para um sítio que não estava nos planos por causa daquilo que viu nas redes. A queda para 38% é grande para tão pouco tempo.
Entre os países analisados, Portugal é o terceiro menos influenciável, atrás apenas do Reino Unido e da França.
Mas continuamos a publicar o lado bom
Aqui o retrato é menos lisonjeiro. Mais de metade dos portugueses, 54%, diz que provavelmente publicaria conteúdos positivos mesmo depois de umas férias desiludidas. Só 21% garantem que não o fariam.
Portugal é o único país do estudo onde esta é a posição maioritária. E também aqui os números pioraram: em 2024, eram 45% os que publicariam na mesma, e 32% os que se recusariam.
Paisagens, sempre paisagens
Quando chega a altura de publicar, os portugueses escolhem quase sempre a mesma coisa: paisagens, com 88%. Somos, aliás, o país do estudo que mais o faz, à frente de Espanha, com 82%.
Seguem-se as experiências e actividades, com 66%, a gastronomia, com 59%, as fotografias pessoais e as selfies, com 50%, e por fim as imagens do hotel, com 41%. Nas selfies só os americanos nos ultrapassam.
O telemóvel nas férias
Mais de metade dos inquiridos, 53%, diz consultar as redes apenas uma vez por dia durante as férias, menos do que faz no resto do ano. Um terço mantém o uso normal.
E só 10% desligam por completo. O tal descanso digital de que tanto se fala continua a ser coisa de uma minoria pequena.
O que ainda nos faz sonhar
Quando procuram inspiração para uma viagem futura, o que os portugueses mais valorizam nas redes são os sítios pouco conhecidos, com 42%. A seguir vêm os vídeos realistas e as fotografias de hotéis e praias, com 22%, e as recomendações de gente com estilo de viagem e orçamento parecidos, com 13%.
Os conteúdos virais e espectaculares, os que fazem milhões de visualizações, convencem apenas 7%. É talvez o dado que melhor resume o estudo: continuamos a ir às redes buscar ideias, mas já não acreditamos no que lá está só porque toda a gente partilhou.
Uma nota prática
Se o destino lhe chegou por uma fotografia, vale sempre a pena a verificação chata antes de reservar. Ver comentários recentes e não só os primeiros, procurar imagens do sítio fora da época alta, e confirmar a distância real entre o alojamento e aquilo que se quer visitar.
As fotografias mais espectaculares são quase sempre tiradas ao nascer do sol, sem ninguém à volta. É raro ser assim às onze da manhã de um sábado de Agosto.











