Há pessoas que não conseguem descansar com uma gaveta aberta. Para a astrologia, alguns signos do zodíaco vivem exactamente ao contrário, e é na confusão que se sentem mais em casa.
A tradição astrológica agrupa os doze signos em quatro elementos, água, ar, fogo e terra, cada um com uma forma própria de lidar com o espaço à sua volta. Essa divisão, com mais de dois mil anos de observação do céu, explica porque é que a arrumação pesa de maneira tão diferente consoante o signo.
Água: a desordem que guarda memória
Caranguejo é, segundo a astrologia, um signo de memória longa e lealdade a tudo o que já provou o seu valor.
Um objecto guardado numa gaveta há anos não é lixo, é uma recordação que ainda tem função, e é por isso que a sua casa pode acumular caixas sem que isso pese como confusão.
Peixes partilha essa sensibilidade da água e tende a viver mais pelo que sente do que pelo que vê à sua frente.
A tradição associa-lhe uma certa distracção em relação ao espaço físico, porque a atenção está quase sempre noutro lugar, e a confusão à volta não o afecta como afectaria outros signos.
Ar: a bagunça de quem nunca pára
Gémeos é, na leitura tradicional, o signo da curiosidade e da conversa, sempre a saltar de um assunto para o seguinte.
Essa dificuldade em fixar-se aplica-se também às coisas: os projectos começam, ficam por acabar, e os materiais de um ficam à mistura com os do seguinte.
Aquário partilha esse elemento do ar e a mesma resistência a rotinas fixas, incluindo a de arrumar.
A astrologia associa-lhe uma mente sempre ocupada com ideias, o que deixa pouco espaço mental para o resto, e a desordem à sua volta é, muitas vezes, apenas o reflexo de uma cabeça cheia.
Nenhuma destas leituras diz que os restantes signos vivem mal com a confusão, apenas que a lidam de forma diferente. Vale sobretudo para quem se revê numa destas descrições e entende, finalmente, porque é que a arrumação nunca foi prioridade.
A desordem que é memória
Nem toda a desarrumação é falta de método. Há um tipo de desordem que funciona como arquivo: cada pilha corresponde a um assunto, e mexer nela destrói a informação que a própria pilha continha.
É por isso que tanta gente se irrita quando alguém lhe arruma a secretária com boas intenções. Não perdeu a arrumação, perdeu o índice.
Numa casa com décadas de vida, isto multiplica-se. As caixas do sótão, a gaveta do aparador, os papéis da cómoda, tudo tem uma lógica que só uma pessoa conhece.
Quando deixa de ser um traço
Há um ponto em que a acumulação deixa de ser temperamento e passa a ser um problema, e vale a pena saber reconhecê-lo:
- quando há divisões da casa que deixaram de poder ser usadas;
- quando os caminhos de circulação estão obstruídos, com risco real de queda;
- quando há comida estragada ou lixo acumulado;
- quando a pessoa deixa de receber visitas por vergonha;
- quando a acumulação começou depois de uma perda.
Este último ponto é o mais importante. A acumulação que surge depois de uma viuvez ou de um luto é frequentemente uma forma de não deixar ir, e trata-se falando disso e não deitando coisas fora.
Arrumar sem trair
Se for ajudar alguém a arrumar, há três regras. Nunca deitar fora nada sem mostrar. Nunca fazê-lo enquanto a pessoa não está em casa. E começar por categorias em que não há carga emocional, como produtos de limpeza e electrodomésticos avariados, deixando fotografias e roupa para o fim.
Quem arruma a casa dos pais num fim-de-semana, à pressa e com boas intenções, costuma deixar uma ferida que dura anos.










