Assinala-se hoje, 26 de Setembro, o Dia Europeu das Línguas, criado pelo Conselho da Europa para celebrar a diversidade linguística do continente. É uma boa data para desfazer um mito persistente: o de que já não se aprende uma língua depois de certa idade.
O que muda, e o que não muda
É verdade que as crianças adquirem sotaque com mais facilidade e que a memória para vocabulário novo exige mais esforço com os anos. Mas os adultos têm vantagens que as crianças não têm: compreendem gramática, relacionam conceitos, têm vocabulário mais rico na própria língua e sabem estudar. Aprendem mais devagar em certos aspectos, e mais depressa noutros.
Benefícios que vão além da conversa
Estudar uma língua obriga a memorizar, a prestar atenção e a mudar de tarefa mentalmente, três funções cognitivas que a investigação associa a melhor reserva cognitiva. Vários estudos sugerem que o bilinguismo se relaciona com um atraso no aparecimento dos sintomas de demência, embora não seja garantia de nada.
Há ainda o efeito social: as aulas de línguas são, por natureza, conversadas, e obrigam a interagir com outras pessoas.
Onde aprender sem gastar muito
As universidades seniores têm quase sempre turmas de inglês, francês e espanhol, com mensalidades simbólicas. As juntas de freguesia organizam cursos, e algumas bibliotecas municipais promovem grupos de conversação gratuitos. Há também associações culturais ligadas a países estrangeiros, com aulas para vários níveis.
Online, as aplicações gratuitas permitem praticar dez minutos por dia e são úteis como complemento, embora não substituam a conversa com outras pessoas.
Quinze minutos por dia chegam
Não é preciso um curso intensivo. Quinze minutos diários, sempre à mesma hora, produzem mais resultados ao fim de um ano do que duas horas semanais feitas à pressa. Muitos adultos conseguem esse tempo enquanto tomam o pequeno-almoço, esperam por uma consulta ou andam no autocarro, e a constância é, nesta matéria, mais importante do que o talento.
Métodos que funcionam melhor em adultos
Estudar pouco e todos os dias resulta melhor do que sessões longas e espaçadas. Aprender frases inteiras e úteis, em vez de listas de palavras soltas. Usar a língua desde o primeiro dia, ainda que mal. Ouvir muito: rádio, canções, séries com legendas. E aceitar o erro como parte do processo, que é onde muitos adultos tropeçam, por vergonha.
O mirandês e as línguas de casa
Portugal tem, além do português, uma segunda língua oficial reconhecida: o mirandês, falado na região de Miranda do Douro e ensinado nas escolas locais. Em muitas famílias há ainda falares e expressões regionais que se perdem de geração em geração. Registá-los, ensinando aos netos algumas palavras da terra, é também uma forma de celebrar esta data.
Escolher a língua certa
A melhor língua para aprender é aquela para a qual existe um motivo concreto: um filho emigrado, um destino de viagem que se repete, uma paixão pelo cinema de um país, netos que crescem noutra língua. A motivação é o que sustenta o esforço quando a novidade passa.
E há um caso particular em Portugal: muitos emigrantes regressados falam francês, alemão ou inglês com fluência que julgam perdida. Voltar a praticar, num grupo de conversação, costuma ser mais rápido do que imaginam, e devolve algo que a vida obrigou a pôr de lado.











