Assinala-se hoje, 22 de Setembro, o Dia Europeu Sem Carros, que encerra a Semana Europeia da Mobilidade. Em dezenas de cidades portuguesas há ruas cortadas ao trânsito, transportes gratuitos ou mais baratos, passeios organizados e actividades nas praças.
Por trás do simbolismo há uma questão prática que interessa sobretudo a quem tem mais de 60 anos: a autonomia de amanhã depende de saber mover-se sem depender exclusivamente do automóvel.
O carro é liberdade, até deixar de ser
Ninguém gosta de pensar nisto, mas há um momento em que conduzir deixa de ser confortável: à noite, com chuva, em auto-estrada, em cidade desconhecida. Quem só descobre alternativas nessa altura vive a transição como uma perda. Quem experimenta antes, com tempo e sem pressão, faz a mudança em termos próprios.
Fazer o teste hoje
A sugestão é simples: escolha um percurso que costuma fazer de carro, de preferência um trajecto habitual, como ir ao mercado, ao centro de saúde ou a casa de um familiar, e faça-o hoje sem automóvel. A pé, de autocarro, de comboio, de metro, ou combinando dois destes.
Vá com tempo. Confirme horários com antecedência. Repare nas paragens, nos lugares sentados, nas escadas, nos sítios onde pode descansar. No fim, terá uma resposta concreta em vez de uma ideia vaga.
O que existe para além do autocarro
Muitos municípios têm transporte urbano gratuito ou com tarifas reduzidas para residentes mais velhos. Há concelhos do interior com transporte a pedido, que funciona por marcação telefónica e leva as pessoas das aldeias à sede do concelho em dias certos. Há táxis com tarifários sociais em alguns municípios e serviços de transporte de doentes não urgentes prescritos pelo centro de saúde, quando há justificação clínica.
E há a boleia organizada entre vizinhos, que continua a ser, em muitas terras, o sistema de transporte mais eficaz que existe.
Andar a pé é transporte
Metade das deslocações urbanas em Portugal tem menos de três quilómetros, uma distância que a maioria das pessoas percorre a pé em pouco mais de meia hora. Fazê-lo com regularidade melhora a tensão arterial, o açúcar no sangue, o humor e o equilíbrio, e poupa a despesa mais invisível do automóvel: o estacionamento, o combustível e o desgaste.
Quanto custa mesmo ter carro parado
Vale a pena fazer a conta: seguro, imposto único de circulação, inspecção, manutenção e desvalorização somam algumas centenas de euros por ano, mesmo num carro que quase não sai da garagem. Para quem faz poucos quilómetros, comparar esse valor com o que gastaria em transportes e táxis costuma dar resultados surpreendentes.
Um olhar honesto sobre a condução
Se conduz, vale a pena responder a três perguntas com sinceridade. Tem-se sentido inseguro em alguma situação? Os familiares já comentaram alguma coisa? Houve pequenos toques ou riscos no carro que não sabe bem explicar?
Se alguma resposta for sim, isso não significa deixar de conduzir. Significa procurar uma avaliação da visão, rever a medicação com o médico e, eventualmente, ajustar hábitos: não conduzir à noite, evitar horas de ponta, escolher percursos conhecidos. Conduzir menos e melhor é, muitas vezes, o que permite continuar a conduzir durante mais anos.











