Assinala-se hoje o Dia Mundial da Música, instituído em 1975 pelo Conselho Internacional da Música, organização criada no seio da UNESCO. A data serve para promover a música como bem comum e o acesso de todos à prática musical, e em Portugal traduz-se em dezenas de concertos gratuitos.
Onde procurar o que há perto de si
Os conservatórios e as academias de música costumam abrir portas neste dia, com audições de alunos. As bandas filarmónicas, que são uma das maiores redes culturais do país, com centenas de colectividades activas, organizam concertos nas praças e nos coretos.
Câmaras municipais, juntas de freguesia, igrejas e bibliotecas juntam-se à data com recitais e sessões de escuta. O site da autarquia e a página da junta são o sítio certo para confirmar horários.
A música faz mais do que entreter
Há um corpo crescente de investigação sobre os efeitos da música no cérebro. Ouvir e, sobretudo, praticar música activa áreas ligadas à memória, à atenção e à emoção, e canções da juventude conseguem evocar recordações em pessoas com demência avançada, quando quase tudo o resto já se perdeu.
Em várias instituições portuguesas usam-se sessões de musicoterapia com esse objectivo, e os resultados no humor e na agitação são visíveis.
Nunca é tarde para aprender
É provavelmente a mensagem mais útil desta data. Aprender um instrumento depois dos 60 é possível, e o cérebro adulto continua a formar novas ligações. O progresso é mais lento do que aos dez anos, mas a motivação é maior e o objectivo é outro: tocar, não ser profissional.
Os instrumentos mais fáceis para começar nesta fase costumam ser o teclado, a guitarra clássica, o ukelele e a flauta. Muitas universidades seniores têm aulas em grupo a preços simbólicos, e há professores que dão aulas individuais adaptadas a mãos com artrose.
Cantar conta como música
Para quem não quer instrumento, cantar em grupo dá os mesmos benefícios sociais e respiratórios. Os coros amadores estão espalhados pelo país, aceitam pessoas sem formação e ensaiam uma vez por semana.
Ouvir melhor em casa
Se já ouve menos bem, a música pode ter perdido brilho sem que se perceba porquê. Uma coluna externa ligada à televisão ou ao telemóvel melhora muito em relação aos altifalantes pequenos, e os auscultadores permitem ouvir ao volume certo sem incomodar ninguém.
As plataformas de streaming têm versões gratuitas com publicidade e planos pagos, e quase todas incluem arquivos enormes de música portuguesa, clássica e de época. As bibliotecas municipais continuam a emprestar CD, o que muita gente já não sabe.
Uma sugestão para hoje
Ponha a tocar um disco que não ouve há trinta anos e repare no que acontece: quase de certeza vai lembrar-se de onde estava quando o ouviu pela primeira vez. É essa a prova doméstica de tudo o que a investigação anda a tentar medir.
Para ouvir hoje
Se não houver nada perto de si, ponha um concerto na televisão ou na rádio pública, que costumam marcar a data com programação especial, e ouça sentado, sem fazer mais nada ao mesmo tempo. Ouvir música com atenção é uma experiência completamente diferente de a ter como fundo.











