Assinala-se hoje o Dia Mundial dos Animais, data escolhida por coincidir com o dia de São Francisco de Assis. Em muitas casas portuguesas, o animal que se adoptou há dez ou doze anos é hoje, também ele, um sénior, e isso muda os cuidados.
Quando é que um animal é idoso
Depende sobretudo do tamanho. Nos cães, as raças grandes envelhecem mais cedo, a partir dos seis ou sete anos, enquanto os cães pequenos só entram nessa fase por volta dos dez. Nos gatos, fala-se em sénior a partir dos onze.
Sinais que não são preguiça
Custar a levantar, hesitar antes de subir ao sofá, ficar para trás no passeio, dormir mais, perder interesse pelo jogo. É frequente interpretar tudo isto como idade e, na verdade, tratar-se de dor articular, que tem tratamento e muda completamente a qualidade de vida do animal.
Outros sinais a valorizar: beber e urinar muito mais, emagrecer sem mudar a alimentação, mau hálito intenso, tumores palpáveis, tosse, desorientação nocturna e alterações de comportamento.
Consultas mais frequentes
A partir desta fase, recomenda-se avaliação veterinária pelo menos duas vezes por ano, com análises de sangue e urina. Muitas doenças comuns em animais idosos, como a doença renal crónica, a doença dentária e as alterações da tiroide nos gatos, são silenciosas no início e tratáveis quando detectadas cedo.
A boca é, provavelmente, a parte mais negligenciada: tártaro e dentes infectados causam dor constante e afectam os rins e o coração.
Alimentação e peso
Existem alimentos formulados para animais seniores, com ajustes de proteína, fósforo e calorias. O excesso de peso é o factor que mais agrava a artrose e encurta a vida, e é também o mais fácil de corrigir, com doses medidas e menos guloseimas de mesa.
Adaptar a casa
Tapetes antiderrapantes nos percursos habituais, porque o chão liso é um problema para patas com artrose. Camas mais macias e acessíveis. Rampas ou degraus para o sofá e para o carro. Comedouros elevados para cães grandes. Litreiras com bordos baixos para gatos, que muitas vezes deixam de as usar por dor e não por birra.
Passeios: menos intensos, não menos frequentes
Continuar a sair todos os dias é essencial para os músculos, para o intestino e para a cabeça. O que muda é o ritmo: passeios mais curtos e mais vezes, em piso regular, e com atenção ao calor e ao frio, que os animais idosos toleram pior.
As decisões difíceis
Há um momento em que a conversa passa a ser sobre qualidade de vida. Vale a pena tê-la antecipadamente com o veterinário, com calma, e não numa urgência. Perguntas simples ajudam: continua a comer com prazer, a interessar-se pelo que o rodeia, a ter mais dias bons do que maus, a estar sem dor.
E, quando esse dia chega, é legítimo sofrer. O luto por um animal é real, dura semanas ou meses e, para quem vive sozinho, é frequentemente a perda de quem estruturava o dia inteiro.
Adoptar em vez de comprar
As associações e os canis municipais estão cheios de animais adultos e idosos, muitas vezes já habituados a viver dentro de casa e com temperamento conhecido. Para quem tem mais idade, adoptar um animal adulto e calmo é frequentemente uma escolha mais sensata do que um cachorro, e salva uma vida que dificilmente encontraria casa.











