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Dinheiro traz felicidade? O que um terapeuta de milionários aprendeu ao ouvir os mais ricos

Dinheiro traz felicidade? O que um terapeuta de milionários aprendeu ao ouvir os mais ricos
Rogério Junior

O psicoterapeuta americano Clay Cockrell, que atende milionários em Nova Iorque, revela ter desistido de tentar enriquecer—uma mudança impulsionada pelo que descreve como o “efeito tóxico da abundância”, a sensação de que nunca se tem o bastante.

Cockrell explica que muitos dos seus pacientes vivem na ilusão de que alcançar uma determinada quantia lhes trará segurança. Porém, atingem esse valor e logo percebem que precisam de mais—US$ 50 milhões tornam-se insuficientes, depois vem a necessidade de US$ 100 milhões ou mais. A felicidade, conclui o terapeuta, simplesmente não reside na conta bancária.

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O psicólogo salienta que a terapia vai além do dinheiro e ajuda os pacientes a descobrir propósitos novos—como a filantropia, relações significativas ou projetos criativos e construtivos. Estimular uma ambição alinhada com um propósito claro é fundamental.

Um foco particular do seu trabalho é o impacto da abundância nas relações pessoais. Os ultra-ricos relatam dificuldades de construir relações genuínas, fruto de isolamento, desconfiança e medo de serem procurados apenas pelo seu estatuto ou riqueza.

Além disso, há consequências emocionais e psicológicas geradas pela riqueza extrema, como a solidão, o vazio existencial e a pressão familiar, sobretudo em herdeiros que vivem com a obrigação de superar os progenitores. Alguns demonstram sintomas de tédio, comportamentos de risco ou falta de ambição autêntica.

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Especialistas externos confirmam essa realidade. Conforme relatado pelo Business Insider, terapeutas que atendem clientes com património superior a 30 milhões de dólares identificam quatro desafios recorrentes: sensação de serem objetificados, isolamento, tendência ao abuso de substâncias e sentimento de vilificação social.

Para muitos, a verdadeira felicidade não está em acumular riqueza, mas sim em laços humanos, propósito e contributo para a comunidade. Esses são os valores que, na visão de Cockrell, fazem qualquer vida—rica ou não—valer a pena.