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As duas doenças da vista que não se corrigem com óculos

As duas doenças da vista que não se corrigem com óculos
Rogério Junior

A catarata opera-se e a vista volta. A degenerescência macular da idade e o glaucoma não funcionam assim: o que se perde não se recupera, e ambas avançam durante anos sem dar sintomas suficientes para levar alguém ao oftalmologista.

Quando a vista começa a falhar depois dos 60, o pensamento imediato costuma ser a catarata. É a explicação mais comum e também a mais tranquilizadora, porque a catarata tem cirurgia consolidada e a visão volta. O problema é que existem outras duas doenças frequentes nesta idade que se comportam de maneira oposta: avançam devagar, quase sem sintomas, e o que destroem não se recupera.

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A degenerescência macular da idade e o glaucoma estão, ao lado da retinopatia diabética, entre as principais causas de perda de visão e de cegueira na população portuguesa. Estima-se que cerca de 12% das pessoas com 55 ou mais anos tenham degenerescência macular, com aproximadamente 1% na forma avançada. E o que as torna perigosas não é a gravidade em si, é o silêncio com que progridem.

Como cada uma engana

A degenerescência macular afeta a mácula, a zona central da retina responsável pela visão de pormenor: ler, reconhecer caras, enfiar uma linha numa agulha. A visão periférica mantém-se, o que significa que a pessoa continua a andar e a orientar-se sem dificuldade e pode demorar muito tempo a perceber a extensão do problema. Há dois sinais que merecem consulta sem demora. Um é ver as linhas direitas tortas ou onduladas, como o rebordo de um azulejo, o caixilho de uma janela ou as linhas de um caderno. O outro é uma mancha ou zona desfocada mesmo no centro do campo de visão.

Existe uma forma seca, de evolução lenta, e uma forma húmida, que pode fazer estragos em semanas e que tem tratamento por injeções no olho, tanto mais eficaz quanto mais cedo começar. Esta é a razão pela qual as linhas tortas não devem esperar pela próxima consulta marcada.

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O glaucoma segue outro caminho. Está normalmente associado a pressão elevada dentro do olho, que vai danificando o nervo ótico, e começa pela visão periférica. O cérebro preenche as falhas e a pessoa não dá por elas: quando o campo de visão já está claramente reduzido, a lesão do nervo é irreversível. O tratamento, geralmente com gotas diárias, trava a progressão mas não devolve o que se perdeu, e é por isso que o diagnóstico precoce vale tanto.

Quando fazer exames

A recomendação corrente da oftalmologia é começar o rastreio do glaucoma por volta dos 40 aos 50 anos, altura em que a presbiopia leva muita gente à consulta pela primeira vez, e passar a exames de um em um ou de dois em dois anos em idades mais avançadas, para vigiar em simultâneo catarata, glaucoma e degenerescência macular. Uma consulta destas mede a pressão intraocular e observa o fundo do olho, e é isso que deteta o que os sintomas não denunciam.

Há fatores que aumentam o risco e que justificam antecipar: casos na família, diabetes, tensão alta, miopia elevada e tabagismo, que é o fator de risco modificável mais bem estabelecido na degenerescência macular. Deixar de fumar continua a ser a medida com maior efeito.

Entretanto, há um teste caseiro simples para a mácula, que se faz tapando um olho de cada vez e olhando para uma superfície com linhas direitas, como a moldura de uma porta ou o padrão de uma toalha. Se as linhas parecerem tortas com um dos olhos e direitas com o outro, é motivo para marcar consulta. Não substitui exame nenhum, mas apanha o sinal mais importante numa altura em que ainda há muito a fazer.

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