Uma dieta intensiva à base de aveia, seguida durante apenas 48 horas, pode reduzir o colesterol “mau” (LDL) em até 10%, com efeitos que se mantêm durante várias semanas. A conclusão surge de um pequeno ensaio clínico publicado na revista científica Nature Communications.
O estudo envolveu 32 adultos com síndrome metabólica — condição associada a excesso de peso, tensão arterial elevada e níveis elevados de açúcar no sangue, fatores que aumentam o risco de doença cardiovascular e diabetes.
Como foi feito o estudo?
Durante dois dias, 17 participantes seguiram uma dieta hipocalórica composta quase exclusivamente por flocos de aveia: três refeições diárias com 100 gramas de aveia cozida em água, podendo apenas adicionar pequenas quantidades de fruta e legumes, sem sal ou açúcar.
O grupo de controlo manteve igualmente uma dieta hipocalórica considerada saudável, mas sem incluir aveia. Ambos os grupos reduziram a ingestão calórica em cerca de metade durante o período do ensaio.
No final das 48 horas, o grupo que consumiu aveia registou:
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Redução média de 8% no colesterol total
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Diminuição de cerca de 10% no colesterol LDL
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Ligeiras perdas de peso
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Pequena descida da pressão arterial
Seis semanas depois, ainda eram detetáveis efeitos positivos no perfil lipídico.
O papel do intestino na equação
A principal novidade do estudo está na explicação biológica proposta. A análise de amostras revelou que a dieta rica em aveia aumentou a presença de certas bactérias intestinais capazes de produzir compostos fenólicos durante a digestão.
Um desses compostos, o ácido ferúlico, já tinha demonstrado em estudos anteriores efeitos benéficos no metabolismo do colesterol. Os investigadores identificaram ainda um subproduto — o ácido dihidroferúlico — que parece contribuir para reduzir o armazenamento de colesterol no organismo.
Resultados promissores, mas preliminares
Num segundo ensaio, em que voluntários consumiram 80 gramas de aveia por dia durante seis semanas sem outras restrições alimentares, os benefícios foram observados, mas de forma menos rápida e menos marcada.
Os investigadores sublinham que os resultados são preliminares e limitados a pessoas com síndrome metabólica. Além disso, o efeito é inferior ao obtido com medicamentos como as estatinas em doses elevadas.
Ainda assim, do ponto de vista nutricional, o estudo reforça algo que já era conhecido: a aveia, rica em fibras solúveis como o beta-glucano, pode ser uma aliada importante na saúde cardiovascular.
Para quem procura estratégias naturais para cuidar do colesterol, integrar aveia na alimentação pode ser um passo simples — sempre com acompanhamento médico adequado quando necessário.










