Quando se trata de comprar tecnologia para a escola, quem manda lá em casa? Um estudo realizado pela Appinio para a refurbed, plataforma de equipamentos recondicionados, mostra que dois em cada três portugueses (66%) já viveram ou presenciaram situações em que as preferências dos mais novos levaram a gastos acima do que estava planeado.
Um cabaz que já pesa 604 euros
O contexto ajuda a perceber a pressão. Segundo dados do Observador Cetelem 2025, o gasto médio no regresso às aulas ronda os 604 euros por aluno, e 57% dos encarregados de educação já reutilizam material escolar de um ano para o outro, sinal de que as famílias procuram activamente alternativas mais económicas. A tecnologia, dos telemóveis aos portáteis, é uma das fatias mais caras desse cabaz. Somando material, manuais, roupa e equipamento electrónico, setembro tornou-se um dos meses mais caros do ano para quem tem filhos ou netos em idade escolar.
Os jovens influenciam, os adultos decidem
Apesar da pressão dos mais novos, a palavra final continua do lado de quem paga. Cerca de um terço dos inquiridos (32%) afirma que a decisão cabe ao adulto que suporta a despesa, e a maioria dos restantes descreve uma negociação equilibrada em que os jovens acabam por ceder. Apenas 11% consideram que os mais novos decidem sozinhos o que se compra.
“Todos os amigos têm o mesmo modelo”
O peso do grupo é o factor que mais se faz sentir: 53% dos inquiridos apontam a marca, o estatuto ou o grupo de amigos como o principal critério nas escolhas tecnológicas dos jovens, e o argumento mais ouvido, referido por 31%, é o de que “todos os amigos têm o mesmo modelo”. Apenas 6% acreditam que a escolha é puramente racional, assente nas funcionalidades e na qualidade do equipamento.
Recondicionados ganham terreno
O estudo traz uma pista útil para quem quer travar a escalada da factura: 46% dos inquiridos acreditam que um jovem aceitaria um equipamento recondicionado certificado, mais barato do que o equivalente novo, contra apenas 18% que antevêem uma recusa imediata. Para 29%, a aceitação dependeria de o jovem conhecer os benefícios destes equipamentos, que aliam a poupança a um consumo mais sustentável.
Convém esclarecer que recondicionado não é sinónimo de usado sem garantias: nas plataformas certificadas, os equipamentos são testados, reparados quando necessário e vendidos com garantia, normalmente por uma fracção do preço de tabela. A diferença para o mercado de segunda mão tradicional está precisamente na verificação técnica e na possibilidade de devolução.
Uma nota para avós generosos
O retrato interessa também a quem costuma oferecer o telemóvel ou o portátil de arranque do ano lectivo: os avós. Um recondicionado certificado, com garantia e vindo de uma plataforma idónea, pode custar bastante menos do que o modelo novo da moda e cumprir exactamente as mesmas funções na sala de aula. E se o argumento do neto for o modelo que “todos têm”, talvez valha a pena lembrar que o estudo mostra que, no fim, quem paga é que decide.











