Chamar um táxi e ver chegar um carro sem ninguém ao volante já é rotina para milhares de pessoas no Dubai. O programa de robotáxis do emirado ultrapassou os 4 milhões de quilómetros percorridos e as 7.613 viagens com passageiros desde o lançamento, com uma taxa de satisfação de 97%, segundo os números agora divulgados pelas autoridades locais.
144 veículos e 50 viagens por dia
“O serviço de Robotáxi conta actualmente com uma frota de 144 veículos, dos quais 48 estão em operação activa, realizando cerca de 50 viagens por dia”, explica Ahmed Bahrozyan, presidente do comité que tutela o transporte autónomo no emirado, para quem os resultados representam “um marco importante” no objectivo estratégico do Dubai: tornar autónomas 25% de todas as viagens de transporte até 2030.
Dos testes com vigilante ao volante vazio
O programa está a ser desenvolvido por fases, com zonas de operação cuidadosamente delimitadas onde a tecnologia é testada em condições reais. A transição faz-se gradualmente: primeiro com um condutor de segurança sentado ao volante, pronto a intervir, e só depois com o serviço totalmente sem condutor. Os milhões de quilómetros acumulados servem de base para avaliar o desempenho, afinar a experiência dos passageiros e preparar a expansão.
Gigantes chineses e a Uber no terreno
A autoridade de transportes do Dubai trabalha com três empresas de condução autónoma, a Apollo Go, do grupo chinês Baidu, a WeRide e a Pony.ai, aproveitando a experiência que estas operadoras acumularam nas frotas que gerem na Ásia. Entretanto, a Uber anunciou que os veículos autónomos da Apollo Go já estão disponíveis na sua aplicação no Dubai, o que significa que qualquer utilizador da plataforma pode apanhar um carro sem condutor como quem pede uma viagem normal.
Uma cidade de 4 milhões em movimento
A aposta responde a uma pressão real: o Dubai tem hoje mais de 4 milhões de residentes e a rede de transportes públicos, mobilidade partilhada e táxis transportou 348 milhões de passageiros só no primeiro semestre de 2026, uma média diária de 1,9 milhões. Os robotáxis são apresentados como complemento do metro, dos autocarros e dos táxis tradicionais, e não como substituto. A procura por soluções de mobilidade a pedido, através de aplicações, continua a crescer ao ritmo da própria cidade, e é nesse espaço que o transporte autónomo se pretende instalar.
O que isto diz ao resto do mundo
Para quem observa da Europa, onde os testes de condução autónoma avançam a passo mais cauteloso, o caso do Dubai funciona como laboratório à escala real: mostra que a tecnologia já transporta pessoas comuns todos os dias, e que a aceitação do público, a julgar pelos 97% de satisfação, pode ser menos problemática do que se pensava. Resta saber se os resultados obtidos nas avenidas largas e novas do Golfo se repetem nas ruas apertadas e centenárias das cidades europeias. Para já, quem visitar o emirado pode fazer o teste na primeira pessoa: basta a aplicação habitual e alguma curiosidade para se sentar no banco de trás de um carro que conduz sozinho.











