E se (ainda) só tivesse vivido um terço da sua vida?

Em 2018, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu o envelhecimento como uma condição que pode ser tratada. Estudos científicos sugerem que o futuro em que os humanos vivem até os 150 anos pode estar próximo.

Viver até mais tarde parece ser um motivo mais do que suficiente para celebrar, mas conseguiremos trabalhar até aos 90 e viver durante os 60 anos seguintes, mesmo que com saúde, a acumular pensões e a sentir que somos um peso para a sociedade?

Um evento anual organizado pelo Fórum Económico Mundial (WEF) e com o tema “Liderança 4.0: Sucedendo numa Nova Era de Globalização” envolveu vários líderes económicos do Mundo. Entre 1 e 3 de julho, esta reunião, que se realizou em Dalian, China, e contou com a presença de mais de 1.500 participantes em 100 sessões de trabalho, discutiu a visão e os valores para moldar o futuro num novo contexto.

Dos vários assuntos debatidos, o gradual envelhecimento da população suscitou alguma discussão entre os oradores convidados. Primeiro, a professora assistente de Biomedicina, Simone Schuerle-Finke constatou que num século os valores de esperança média de vida praticamente duplicara, e apresentou o exemplo dos Estados Unidos, onde «em 1900, a expectativa de vida era de cerca de 47 e agora é de aproximadamente 80».

A responsável justificou essa realidade com o facto de termos conseguido «controlar doenças infeciosas e progredir no tratamento do cancro», além de ter feito um prognóstico promissor para o futuro, pois «algumas estatísticas preveem que, em 2050, a expectativa de vida nos EUA possa chegar aos 95», acrescentou Schuerle-Finke.

Envelhecimento tem tratamento

Esta é uma declaração da OMS que, no ano passado, declarou o envelhecimento como uma condição médica. Aliás, atualmente, a professora diz que existe uma grande convicção por parte dos cientistas, especializados em investigação ligada ao envelhecimento, de que «este ainda pode vir a ser considerado uma doença».

Do lado oposto, o professor norte-americano de História Jerry Muller afirmou que quem pensa no envelhecimento como uma doença «tem uma noção errada sobre a vida». O professor defendeu ainda que o «envelhecimento do corpo e da mente é um processo natural» e que não devemos ter vergonha de chegarmos a uma fase da vida em que temos «menos inteligência fluida, mas mais sabedoria e conhecimento acumulados». Além disso, «devemos ver a vida não apenas como um segmento que termina com a morte, mas como parte de uma narrativa maior». Como tal, a «ideia de viver até os 120, 130 ou 150 parece ser altamente indesejável».

Já o diretor executivo e cofundador da Lunadna, Bob Kain, é da opinião de que «à medida que vivemos mais, queremos acrescentar anos na fase em que estamos mais lúcidos e ativos e não no fim das nossas vidas», pelo que «se vivermos até os 150 anos, os indivíduos terão mais de 100 anos dedicados às carreiras». Kain perspetivou que, nessa hipótese, «aos 40 anos, possivelmente, mudaremos de carreira, e talvez tenhamos a oportunidade de ter várias vidas a meio da vida».

A professora de Biomedicina prefere imaginar «um modelo de contínua aprendizagem por toda a vida», pois aos 50 anos, o que a pessoa aprendeu 30 anos antes está desatualizado. Assim, mudar de carreira parece ser uma alternativa possível, mas uma pessoa «continuar a trabalhar até à reforma parece algo insustentável, pelo que a sociedade só beneficia se as pessoas aumentarem ou diversificarem a sua educação».

Simone Schuerle-Finke concluiu que «a discussão sobre se queremos [viver mais] ou não» é vã e realçou que estamos a viver com «as taxas mais altas de aumento da expectativa de vida desde a década de 1960». Por isso, embora todos tenhamos ideias diferentes sobre o que é melhor para o futuro, o aumento da longevidade já é uma realidade e «temos de aprender a lidar com a mesma».

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