É um símbolo de Lisboa, mas será que sabemos tudo sobre o Castelo de São Jorge?

Se nunca o visitou, vai encontrar aqui muitas razões para o fazer.

São Jorge
Mas qual a razão do nome “Castelo de São Jorge”? Pergunta ncultura. Sabia que anteriormente se chamava simplesmente Castelo de Lisboa? O Castelo só ficou “de São Jorge” após o Rei D. João I ter alterado o seu nome no século XIV.

Na época chamava-se Paço Real, por isso merecia um nome com outra dimensão. A escolha recaiu em São Jorge, pois o monarca tinha grande devoção pelo santo. O monarca fundador da Ordem de Avis invocou o santo aquando da Batalha de Aljubarrota, num momento em que ocorria a luta contra o Reino de Castela. São Jorge, o santo guerreiro, padroeiro dos cavaleiros e dos militares, foi o eleito em 1387, como o Santo Patrono de Portugal.

Os “80 anos” do Castelo
A história do Castelo antecede a do reino português. Há registos que evidenciam que na colina do Castelo já existia um aglomerado fixo nos séculos VII e II a.C., chamado “Oppidum”. Num contexto em que o Império Romano estava instalado e o que conhecemos como Lisboa se chamava “Olissipo”.

As muralhas foram estruturadas mais tarde, entre os séculos VII e XI, no período muçulmano. O período áureo do Castelo ocorreu com D. Afonso Henriques, na sequência da conquista de Lisboa, em 25 de outubro de 1147. O castelo permaneceu reservado ao rei e à corte até ao início do século XVI.

Acontecimentos históricos relevantes
O terramoto de 1530 destruiu parte da estrutura. O rei e a corte abandonaram o Castelo, assentando arraiais no Paço da Ribeira, no Terreiro do Paço. Desde então, o Castelo passou a assumir uma função militar que durou até ao final do século XIX. Pelo meio, o terramoto de 1755 deixou a zona do Castelo em ruínas.

O Castelo apresentava-se em muito mal estado no início do século XX. Entre 1938 e 1940, o Castelo de São Jorge sofreu obras de requalificação profundas. Assim, a fortificação tem, na verdade, uns escassos 80 anos. Foram acrescentadas ameias e torres ao Castelo medieval.

Câmara Obscura
Sabia que existe uma câmara obscura no interior do Castelo de São Jorge? É verdade, o sistema ótico constituído por lentes e espelhos possibilita uma observação da cidade em tempo real e a 360 graus.

A partir desta câmara obscura conseguem observar-se diversos monumentos, podendo contemplar as zonas nobres de Lisboa. O periscópio está sujeito às condições atmosféricas. Está presente no topo da Torre Ulisses.

Estátua de D. Afonso Henriques
No Castelo de São Jorge, há uma estátua em bronze de D. Afonso Henriques. No âmbito da comemoração do VIII Centenário da conquista de Lisboa, a estátua foi oferecida pela cidade do Porto à capital, para ser inaugurada a 25 de outubro de 1947.

É, na verdade, uma réplica executada em 1887, por Soares dos Reis. A estátua original pode ser encontrada em Guimarães, em frente do Paço dos Duques.

Jardim de Espécies Autóctones Portuguesas
O único espaço verde da capital onde se podem encontrar as principais espécies autóctones da floresta portuguesa é no jardim do Castelo de São Jorge. Entre as espécies autóctones que podem ser encontradas estão alfarrobeiras, medronheiros, pinheiros-mansos, sobreiros, zambujeiros e algumas árvores de fruto.

A curadoria das árvores do jardim honra a memória da antiga horta do Paço Real da Alcáçova (espaço onde D. Afonso Henriques chegou a viver), nome concedido à antiga residência real medieval que, após o terramoto de 1755, ficou destruída.

Prémio de Arquitetura
Carrilho da Graça e João Gomes da Silva desenvolveram um projeto de arquitetura em 2010 para o núcleo arqueológico da Praça Nova do Castelo de São Jorge.

O arquiteto e o arquiteto paisagista, respetivamente, tinham como mote proteger e destacar o sítio arqueológico, pois a colina lisboeta contém vestígios dos períodos de ocupação sucessivos de povoamentos da Idade do Ferro (do século VII a.C ao século III a.C.), mas também de habitações muçulmanas medievais.

Ainda há um palácio do século XV pertencente aos Condes de Santiago. A obra foi distinguida com o Piranesi Prix de Rome 2010 por apresentar “uma grande clareza na qualidade da solução adoptada, tanto na relação física entre arquitetura e arqueologia, bem como na relação entre intervenção volumétrica e paisagem.”

Recorde de visitas
De acordo com os dados divulgados em abril de 2019, o monumento mais visitado em Portugal no ano de 2018 foi o Castelo de São Jorge! De acordo com o documento, em 2018, existiu um total de 2.021.242 entradas!

Sabia que os estrangeiros são os que mais visitam o espaço? É verdade! Segundo dados da EGEAC, 95% das entradas são de cidadãos não portugueses.

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