Depois de um terceiro trimestre mais morno, os empregadores portugueses esperam fechar o ano a contratar. A projecção para a criação líquida de emprego no último trimestre de 2026 situa-se nos 32 por cento, mais 14 pontos do que no trimestre anterior e mais 19 do que há um ano, segundo o estudo trimestral do ManpowerGroup, que ouviu perto de 40 mil empregadores em 42 países.
Os números escondem, porém, uma mudança de fundo. Entre os empregadores nacionais, 44 por cento querem aumentar as equipas, outros tantos preferem manter o número actual de trabalhadores e 12 por cento antevêem reduzir. Rui Teixeira, responsável do ManpowerGroup em Portugal, resume assim o momento: as empresas «não estão apenas a recrutar para crescer, estão também a recrutar para transformar as suas equipas», e são «cada vez mais selectivas» nas decisões de contratação.
O que está a puxar pelas contratações
O crescimento dos negócios continua a ser o principal motor, apontado por 42 por cento dos empregadores. Segue-se a escassez de talento: 27 por cento precisam de preencher vagas que ficaram abertas no trimestre anterior. Ao mesmo tempo, quase metade das organizações diz contratar por causa da evolução das funções e das competências, das novas iniciativas de negócio aos avanços tecnológicos que criam funções que antes não existiam.
No sentido inverso, a reestruturação é referida por 25 por cento como motivo para reduzir equipas, com a automação logo a seguir, também com 25 por cento e a subir.
Indústria em máximos de quatro anos
Todos os sectores apresentam projecções positivas para o final do ano. A Indústria lidera com 40 por cento, o valor mais alto dos últimos quatro anos, seguida da Construção e Imobiliário com 39, das Finanças e Seguros com 35 e do Comércio e Logística com 34. Na cauda fica o sector das utilities e recursos naturais, com 16 por cento, o único a descer face ao trimestre anterior.
Centro do país e Grande Lisboa lideram
As cinco regiões analisadas têm intenções de contratação positivas. O maior optimismo está na Região Centro, com uma projecção de 50 por cento, e na Grande Lisboa, com 40. Seguem-se o Sul com 26, o Grande Porto com 24 e o Norte com 21. Por dimensão, as empresas até mil trabalhadores são as mais ambiciosas; as microempresas, com 14 por cento, são as únicas em queda.
E para quem procura trabalho depois dos 50?
A leitura para os leitores mais experientes é dupla. Por um lado, há mercado: o desemprego está em mínimos históricos e a maioria dos sectores quer reforçar equipas no final do ano, altura em que tradicionalmente se preparam os orçamentos e os projectos do ano seguinte. Por outro, a selectividade crescente significa que as empresas procuram competências específicas, sobretudo ligadas à transição digital. Quem se mantém actualizado, ou aproveita esta fase para o fazer, parte com a vantagem de juntar a experiência de décadas àquilo que as empresas dizem faltar-lhes: gente que saiba navegar a mudança.
No panorama internacional, a projecção global situa-se nos 29 por cento e a Europa, apesar de recuperar, continua a ser a região mais cautelosa, com 20 por cento. O próximo estudo, com as previsões para o arranque de 2027, é divulgado em Dezembro.











