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Escolher colchão depois dos 60: o que importa e o que é marketing

Escolher colchão depois dos 60: o que importa e o que é marketing
Georgia Gonçalves

Dormir mal e acordar com dores nas costas tem muitas vezes uma causa simples. Mas o colchão certo não é o mais caro nem o mais duro.

Passa-se um terço da vida em cima dele e costuma ser das compras menos informadas que se fazem. A escolha do colchão tem impacto directo no sono, nas dores de costas e na facilidade em sair da cama de manhã.

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Duro não é sinónimo de bom

Durante décadas repetiu-se que quem tem dores de costas deve dormir em superfície dura. A evidência disponível aponta noutro sentido: colchões de firmeza média tendem a dar melhores resultados na dor lombar do que os muito duros.

O objectivo é manter a coluna alinhada. Um colchão demasiado mole deixa a anca afundar; um demasiado duro cria pontos de pressão nos ombros e nas ancas e obriga a mudar constantemente de posição.

Como testar na loja

Deite-se, com sapatos fora, na posição em que costuma dormir, durante pelo menos dez minutos. Não bastam trinta segundos sentado na beira. Se dorme de lado, veja se o ombro se acomoda sem que a cintura fique suspensa. Se dorme de costas, tente passar a mão por baixo da zona lombar: se entrar com muita folga, o colchão é duro de mais.

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Se dorme acompanhado, testem os dois ao mesmo tempo.

Tipos, em linguagem simples

Os de molas ensacadas adaptam-se ponto a ponto, são mais arejados e transmitem menos movimento ao outro lado da cama. Os viscoelásticos moldam-se ao corpo e distribuem bem a pressão, mas aquecem mais, o que em Portugal pesa no Verão. Os mistos combinam os dois e são, para a maioria das pessoas, uma escolha segura.

Em casais com pesos muito diferentes, as molas ensacadas costumam resolver melhor.

A altura da cama importa tanto como o colchão

Este é o ponto que mais afecta a autonomia e que quase nunca é referido nas lojas. Sentado na beira da cama, os pés devem assentar bem no chão com os joelhos a cerca de noventa graus. Camas demasiado baixas dificultam o levantar; demasiado altas obrigam a saltar.

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Somando colchão e estrado, uma altura entre 50 e 60 centímetros costuma ser confortável para quem tem problemas de anca ou joelho.

Quando substituir

A referência habitual são oito a dez anos, mas os sinais valem mais do que o calendário: covas visíveis, molas que se sentem, acordar com dores que passam ao longo do dia, dormir melhor fora de casa do que na própria cama.

Cuidados que prolongam a vida do colchão

Rodar de cabeça para os pés a cada três meses e virar, se for de faces reversíveis. Usar resguardo lavável, sobretudo em caso de incontinência. Arejar o quarto de manhã antes de fazer a cama. E confirmar que o estrado está em bom estado: um estrado vergado estraga um colchão novo em poucos meses.

Prazo de experiência

Várias marcas dão períodos de teste de algumas semanas com devolução. Vale a pena perguntar e preferir quem oferece essa possibilidade, porque um colchão só se avalia mesmo ao fim de dez ou quinze noites.

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Se o orçamento for limitado, prefira gastar num bom colchão e manter o estrado, desde que esteja firme. É o colchão que suporta o corpo, e um estrado razoável com um colchão bom vale mais do que o contrário.