Há amigos que só aparecem nas boas notícias.
Há outros que atendem o telefone às três da manhã, sem perguntas, e é essa diferença que a tradição astrológica tenta explicar através dos quatro elementos que compõem o zodíaco ocidental.
Os signos de água nunca esquecem
O zodíaco ocidental divide-se em quatro elementos, com três signos cada, numa tradição que soma mais de dois mil anos de observação do céu. Aos signos de água, a tradição atribui memória longa e lealdade a quem já provou o seu valor.
Caranguejo, Escorpião e Peixes entram nesse grupo, os três signos que a astrologia associa ao elemento água. Não são os primeiros a fazer barulho quando algo corre bem, mas a tradição diz que são dos últimos a sair quando algo corre mal.
Caranguejo guarda cada gesto de quem já o ajudou. Devolve-o multiplicado anos depois, porque a tradição associa a este signo uma sensibilidade que o torna atento a quem precisa, mesmo sem que seja preciso pedir.
Escorpião raramente esquece quem esteve presente numa fase difícil. Essa memória fica gravada durante muito tempo, e a tradição astrológica lê esse traço como lealdade quase silenciosa, mais visível nos actos do dia a dia do que propriamente nas palavras ditas.
A Peixes a tradição atribui uma sensibilidade que absorve o que os outros sentem antes mesmo de o dizerem. É esse traço que o torna capaz de aparecer sem ser chamado.
O contraponto de Touro
Fora do elemento água há outro signo que a tradição associa a este tipo de presença constante: Touro. O apego ao concreto e a desconfiança do que não se vê tornam-no metódico também na amizade.
Touro não promete o que não pode cumprir. É essa cautela que a astrologia lê como garantia de presença, e quando um Touro diz que está presente, a tradição sugere que essa palavra carrega, de facto, um peso real.
O que distingue estes signos
Nenhum destes signos precisa de ser o centro das atenções para mostrar que se importa com quem está ao lado. A astrologia atribui essa constância a um traço comum, uma espécie de fio invisível: a lealdade a quem já provou merecer confiança.
É essa leitura, repetida em cada mapa astral, que continua a fazer sentido para quem procura reconhecer, no céu, um pouco de quem tem ao lado.
Estar presente sem saber o que dizer
Há uma ideia que trava muita gente: a de que é preciso ter as palavras certas. Não é. Quem já passou por uma perda ou por uma doença grave costuma dizer o mesmo: não se lembra de nada do que lhe disseram, lembra-se de quem apareceu.
E o que ajuda a sério raramente é uma frase. É uma sopa entregue à porta, uma boleia à consulta, uma ida à farmácia, uma hora a fazer companhia sem falar.
A pergunta aberta, diz-me se precisares de alguma coisa, é bem-intencionada e quase nunca dá resultado, porque obriga a pessoa fragilizada a organizar o pedido. A oferta concreta funciona muito melhor: vou ao supermercado às cinco, o que é que levo.
O tempo que se esquece
Nas primeiras duas semanas há gente a mais. Ao fim de dois meses não há ninguém, e é precisamente aí que a solidão aperta, porque a vida dos outros retomou e a de quem ficou não.
Marcar no calendário um telefonema para daí a três meses é dos gestos mais eficazes e menos praticados que existem.
Quem está sempre lá também precisa
Há um custo nisto que raramente se fala. Quem tem fama de ser o porto seguro da família acaba por receber os problemas de toda a gente e por não entregar os seus a ninguém.
Se se reconhece nesta descrição, vale a pena perguntar-se a quem é que ligaria se fosse a si a precisar. Se demorar a encontrar um nome, é um sinal.











