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Estudantes sentem-se menos preparados do que o mercado de trabalho exige

Estudantes sentem-se menos preparados do que o mercado de trabalho exige
Maria Isadora Ribeiro

Um estudo da Universidade Portucalense mostra que os jovens confiam menos nas suas competências do que aquilo que julgam ser exigido pelos empregadores. A experiência profissional é o que mais ajuda a ganhar confiança.

Estarão os jovens preparados para aquilo que o mercado de trabalho lhes vai pedir? Eles próprios têm dúvidas. Um estudo da Universidade Portucalense, no Porto, mostra que os estudantes reconhecem uma fasquia elevada nas competências que acreditam ser valorizadas pelos empregadores, mas confiam menos na sua própria preparação. Numa escala de um a cinco, os 384 estudantes de Economia e Gestão inquiridos atribuíram 4,40 às competências que julgam ser esperadas pelas empresas. Quando avaliaram as suas, a média desceu para 4,08.

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Os investigadores sublinham que os dados não provam que exista um défice real de competências: o que existe é um desfasamento entre a exigência que os jovens imaginam do outro lado e a confiança que têm em si próprios.

Onde a diferença mais se nota

A gestão do tempo é o caso mais evidente: os estudantes acham que os empregadores lhe dão uma importância de 4,61, mas avaliam a sua capacidade nesta área em 3,95. Nas competências profissionais, a distância é ainda maior, com 4,22 de expectativa contra 3,48 de autoavaliação. O pensamento estratégico e a capacidade de fazer apresentações completam a lista das áreas onde os jovens se sentem mais aquém.

A experiência faz toda a diferença

O dado mais interessante do estudo confirma aquilo que qualquer pessoa com uma carreira feita sabe por experiência própria: é a trabalhar que se ganha confiança. Os estudantes com mais de seis meses de experiência profissional avaliam as suas competências em 4,19; entre os que nunca trabalharam, a média cai para 3,13. E quase 90 por cento consideram o trabalho um espaço de desenvolvimento das chamadas soft skills, mais do que os cerca de 74 por cento que atribuem esse papel à escola.

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«Os resultados não retratam estudantes sem competências. Mostram, antes, que existe uma confiança inferior à fasquia que os próprios estudantes associam ao mercado de trabalho», explica Margarita Carvalho, co-coordenadora do MBA Executivo da Portucalense e uma das autoras do estudo.

O que propõem os investigadores

Mais do que criar disciplinas de soft skills, os autores defendem que as universidades dêem aos estudantes oportunidades de praticar estas competências, aproximem a avaliação académica de situações profissionais reais e devolvam feedback mais claro. A colaboração entre universidades e empregadores ajudaria também a transformar conceitos vagos como «proactividade» ou «resiliência» em comportamentos concretos, que se podem observar e treinar.

O que os avós e os pais podem fazer

Para quem tem em casa um neto ou um filho a entrar na universidade ou no primeiro estágio, o estudo deixa uma pista valiosa: a confiança constrói-se com experiência, e a experiência começa pequena. Um trabalho de Verão, um biscate, uma tarefa com responsabilidade real fazem mais pela preparação profissional do que muitas horas de teoria. E há outra coisa que os números mostram sem o dizer: quem já trabalhou décadas tem, nas mãos, precisamente aquilo que falta aos mais novos. Contar como se gere o tempo, como se fala com um chefe difícil ou como se recupera de um erro é uma herança que não custa nada a passar, à mesa de um almoço de domingo.

O estudo, assinado por Margarita Carvalho, Mónica Azevedo e Luís Pacheco, foi publicado este ano na revista científica Industry and Higher Education.

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