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Estudo de Coimbra descobre papel dos vasos linfáticos na reparação dos ossos

Estudo de Coimbra descobre papel dos vasos linfáticos na reparação dos ossos
Maria Isadora Ribeiro

Uma investigação liderada pelo Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento da Universidade de Coimbra mostra que os vasos linfáticos fazem parte do osso e ajudam a repará-lo. A descoberta pode abrir caminho a novos tratamentos para fracturas.

Com a idade, os ossos perdem massa, as fracturas tornam-se mais frequentes e a recuperação mais lenta. Qualquer avanço na compreensão de como o esqueleto se mantém e se repara é, por isso, uma boa notícia para quem já passou os 50. E essa notícia chega agora de Coimbra: um estudo liderado pelo Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento, o MIA-Portugal, da Universidade de Coimbra, revela que os vasos linfáticos são parte integrante do osso e têm um papel activo na sua reparação.

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A investigação foi publicada na Cell, uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo, e resolve uma questão que dividia os cientistas há anos.

Uma presença que era posta em causa

O sistema linfático é uma rede de vasos que percorre todo o corpo e desempenha várias funções, entre as quais ajudar o organismo a combater infecções e a drenar líquidos dos tecidos. A existência destes vasos no interior do osso era, até aqui, bastante debatida. O novo estudo demonstra que não só existem, como são reguladores importantes da biologia do esqueleto.

«A nossa investigação fornece evidências sólidas de que os vasos linfáticos são parte integrante do tecido ósseo e importantes reguladores da biologia esquelética, ao promoverem a manutenção de massa óssea e a reparação do osso», afirma Anjali Kusumbe, investigadora do MIA-Portugal que liderou o trabalho.

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Como foi feita a descoberta

Para chegar a esta conclusão, a equipa analisou tecido ósseo humano e de roedores com recurso a técnicas de ponta. Entre elas, a transcriptómica espacial, que permite ver que genes estão activos em cada ponto do tecido sem perder a localização exacta das células; a sequenciação de ARN de célula única, que mede essa actividade em cada célula individualmente; e a imagiologia de alta resolução, que permite observar as estruturas com enorme detalhe.

O resultado foi uma imagem inédita do interior do osso, em que os vasos linfáticos surgem como uma componente funcional do microambiente do esqueleto, envolvida tanto na manutenção da massa óssea como nos processos de reparação e regeneração.

O que pode mudar no futuro

A descoberta tem implicações para a medicina regenerativa e para a saúde dos músculos e dos ossos, com potencial para melhorar a qualidade de vida das populações envelhecidas. «Esta descoberta poderá abrir caminho a novos tratamentos inovadores que tirem partido tanto do sistema linfático como do sistema vascular sanguíneo para acelerar a consolidação de fracturas, reduzir a inflamação óssea crónica e promover um envelhecimento mais saudável do esqueleto», sublinha Anjali Kusumbe.

Convém, no entanto, manter as expectativas ajustadas: trata-se de investigação fundamental, e a passagem de uma descoberta destas para tratamentos disponíveis nos hospitais leva normalmente vários anos. O estudo, apoiado por fundos da Comissão Europeia, obriga ainda, segundo os autores, a rever os actuais modelos da vascularização do esqueleto.

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Enquanto isso, cuidar dos ossos

À espera de novos tratamentos, as recomendações para manter os ossos saudáveis continuam a ser as de sempre e continuam a funcionar: exercício físico regular, sobretudo caminhada e exercícios de força, uma alimentação com cálcio suficiente, através de lacticínios, leguminosas e vegetais de folha verde, exposição moderada ao sol para ajudar a produzir vitamina D, e evitar o tabaco e o excesso de álcool. Depois dos 50, sobretudo nas mulheres após a menopausa, vale a pena perguntar ao médico de família se faz sentido avaliar a densidade óssea.