Na loja, olha-se para o preço. Em casa, paga-se o consumo. Um frigorífico funciona 24 horas por dia durante dez ou quinze anos, e a diferença entre um modelo eficiente e outro mais gastador pode ultrapassar, ao longo da vida útil, a diferença de preço na compra.
O que mudou nas etiquetas
A escala foi revista há alguns anos e voltou a ser de A a G, sem os antigos «A mais». A classificação tornou-se mais exigente, pelo que um aparelho hoje classificado como C pode ser tão eficiente quanto um A da escala antiga. Não vale, por isso, comparar etiquetas de épocas diferentes.
O número que interessa mesmo
Mais importante do que a letra é o consumo anual indicado em quilowatts-hora. Esse valor permite fazer contas concretas: multiplique-o pelo preço do kWh do seu tarifário e obtém o custo anual de funcionamento.
Comparando dois modelos, se um gasta 150 kWh por ano e outro 250, a diferença de 100 kWh traduz-se directamente em euros, todos os anos, durante toda a vida do aparelho.
Os grandes consumidores da casa
Frigorífico e arca congeladora, por estarem sempre ligados. Máquina de secar roupa, que é dos aparelhos que mais gasta por utilização. Termoacumulador e esquentador eléctrico. Aquecimento e ar condicionado. A máquina de lavar roupa e a de loiça gastam sobretudo a aquecer a água, e não a rodar.
Hábitos que reduzem a conta
Lavar a loiça e a roupa a temperaturas baixas, com a máquina cheia, e usar os programas eco, que demoram mais tempo mas gastam menos água e electricidade. Secar a roupa ao ar sempre que possível. Manter o frigorífico entre quatro e cinco graus, descongelar regularmente e verificar as borrachas da porta, porque uma vedação gasta obriga o motor a trabalhar mais.
E desligar da tomada o que fica em espera. Televisores, descodificadores, carregadores e micro-ondas somam, em conjunto, uma fatia pequena mas constante da factura.
Vale a pena substituir um aparelho antigo?
Se o frigorífico tem mais de quinze anos, provavelmente sim: os modelos actuais consomem uma fracção do que consumiam os de então. Nos restantes casos, a conta faz-se comparando o consumo anual estimado do aparelho antigo com o do novo e o preço de compra.
Antes de decidir, confirme se existem programas de apoio à substituição de electrodomésticos por modelos eficientes, que têm sido lançados periodicamente, e pergunte na loja se aceitam o aparelho velho para reciclagem, o que é obrigatório na compra de um equivalente.
Iluminação, a poupança que se esquece
Substituir as últimas lâmpadas antigas por LED continua a ser das intervenções com retorno mais rápido, sobretudo nas divisões onde a luz fica acesa muitas horas. Além de gastarem uma fracção da electricidade, duram vários anos, o que evita o incómodo de andar a trocar lâmpadas em candeeiros altos.
Potência contratada e tarifário
Muitas casas mantêm uma potência contratada acima do que precisam, herdada de uma altura em que havia mais gente e mais aparelhos. Baixar um escalão reduz a parcela fixa da factura todos os meses, independentemente do consumo. O mesmo se aplica à escolha entre tarifa simples e bi-horária: só compensa mudar para bi-horária quem consegue deslocar máquinas para o período nocturno.
O simulador da entidade reguladora do sector energético permite comparar propostas de comercializadores com base no consumo real da sua casa.











