Estão em centros comerciais, supermercados e ruas movimentadas, muitas vezes com preços mais baixos em produtos idênticos. As parafarmácias, ou locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica, ganharam terreno em Portugal e geram dúvidas legítimas sobre o que ali se pode comprar.
A diferença essencial
Só as farmácias podem dispensar medicamentos sujeitos a receita médica e medicamentos manipulados, e só elas têm obrigatoriamente um director técnico farmacêutico e serviço permanente por escala. As parafarmácias podem vender medicamentos não sujeitos a receita, como analgésicos comuns, xaropes ou pomadas de venda livre, além de suplementos, cosméticos, produtos de higiene e puericultura.
A lei exige que a dispensa desses medicamentos nas parafarmácias seja feita com intervenção de farmacêutico ou técnico de farmácia.
Onde se poupa
Nos produtos de venda livre, cremes, champôs, suplementos e artigos de higiene, os preços podem ser mais baixos nas parafarmácias e em grandes superfícies. Nos medicamentos comparticipados, o que conta é o preço regulado e a comparticipação do Estado, pelo que a poupança vem sobretudo de escolher, dentro do receitado, a alternativa mais barata.
Onde a farmácia compensa
Quando há dúvidas sobre interacções, quando se tomam vários medicamentos, quando é preciso preparar medicação semanal, administrar injectáveis ou vacinas, medir tensão e glicemia, ou pedir aconselhamento sobre sintomas. E, claro, nas urgências fora de horas, através das farmácias de serviço.
Cuidados na compra online
É legal comprar medicamentos não sujeitos a receita pela internet, mas apenas em sites de farmácias e locais de venda registados, identificáveis por um logótipo comum europeu que remete para a lista oficial de entidades autorizadas. Fora daí, o risco de comprar produtos falsificados é real, sobretudo em medicamentos populares.
Nunca compre medicamentos sujeitos a receita em sites, redes sociais ou aplicações de mensagens. É ilegal e perigoso.
Suplementos não são inofensivos
Vendidos livremente e muitas vezes apresentados como naturais, os suplementos podem interferir com medicação crónica. Ginkgo, erva-de-são-joão, alho em cápsulas, doses altas de vitamina E e chás para emagrecer estão entre os que mais interacções causam.
A regra é simples, e vale para qualquer sítio onde se compre: se toma medicamentos todos os dias, pergunte antes de acrescentar mais alguma coisa, ainda que venha de uma prateleira de supermercado.
Medicamentos genéricos: iguais e mais baratos
Os genéricos têm a mesma substância activa, a mesma dose e a mesma forma farmacêutica do medicamento de referência, e são avaliados quanto à equivalência. A receita electrónica indica a substância activa, e o utente pode escolher, dentro do grupo, a opção que preferir. Pedir a alternativa mais barata é um direito, e a diferença ao fim de um ano de medicação crónica é significativa.
Serviços que a farmácia presta
Além da dispensa, muitas farmácias fazem administração de vacinas não incluídas no plano nacional, determinação de tensão, glicemia e colesterol, preparação individualizada da medicação em caixas semanais, entrega ao domicílio e recolha de medicamentos fora de prazo para destruição adequada.
Este último ponto merece nota: medicamentos que já não se usam não devem ir para o lixo comum nem para a sanita. Existem contentores próprios nas farmácias para esse efeito.











