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Fazer amigos novos depois dos 60: mais difícil, mas não impossível

Fazer amigos novos depois dos 60: mais difícil, mas não impossível
Rogério Junior

Os amigos de sempre morrem, mudam-se ou adoecem, e a agenda social encolhe sem se dar por isso. Reconstruir exige método, e há sítios onde resulta melhor.

Aos vinte anos, os amigos apareciam sem esforço, porque havia escola, trabalho, bairro e tempo. A partir de certa idade, a rede começa a desfazer-se: uns morrem, outros mudam-se para perto dos filhos, outros deixam de sair por doença. E, ao contrário do que acontecia antes, ninguém aparece a substituí-los.

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Porque é mais difícil

A investigação sobre amizade aponta três ingredientes: proximidade física, encontros repetidos e um ambiente que favoreça a conversa aberta. Na juventude, os três estão garantidos. Depois da reforma, desaparecem quase todos ao mesmo tempo.

É por isso que a solução passa menos por força de vontade e mais por voltar a criar essas condições.

A regularidade é o segredo

A amizade nasce da repetição, e não de um encontro brilhante. Uma actividade semanal, sempre no mesmo dia e com as mesmas pessoas, produz mais ligações do que dez eventos diferentes. É esta a razão pela qual as aulas, os coros, os grupos de caminhada e as colectividades funcionam tão bem.

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Onde procurar

Universidades seniores, que existem em quase todo o país e cobram valores simbólicos. Grupos de caminhada organizados por juntas de freguesia e por clubes. Coros amadores. Voluntariado, que junta pessoas com valores parecidos. Aulas de dança, de informática ou de línguas. Clubes de leitura das bibliotecas municipais. Associações de reformados e centros de convívio.

E, num registo diferente, o café do bairro à mesma hora, a missa dominical ou o mercado semanal, que continuam a ser espaços onde se criam relações a um ritmo lento.

Como se dá o primeiro passo

Com perguntas, não com currículos. Perguntar como a pessoa chegou àquele grupo, o que costuma fazer, onde vive. E, sobretudo, aparecer outra vez na semana seguinte, que é o gesto que mais sinaliza disponibilidade.

Passar do conhecido ao amigo exige, a dada altura, um convite concreto: um café depois da aula, uma ida ao mercado, um telefonema. É o passo que mais custa e o que decide.

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Para quem é tímido

Actividades com tarefa definida são mais fáceis do que conversas abertas. Num grupo de jardinagem, de tricô ou de voluntariado, há sempre algo a fazer com as mãos, e a conversa nasce de lado, sem pressão.

Amizades antigas também se recuperam

Muitas relações não acabaram, adormeceram. Um telefonema a alguém com quem não se fala há cinco anos costuma ser recebido com uma alegria que surpreende quem ligou. Vale a pena fazer a lista e começar por um por semana.

Quando a solidão pesa mais do que isto

Se o isolamento já se prolonga, se houve perda recente, se apetece cada vez menos sair, convém falar com o médico de família. A solidão prolongada associa-se a depressão e a pior saúde física, e existe apoio, desde consultas de psicologia a programas municipais de combate ao isolamento, que muita gente desconhece.

Dar tempo ao tempo

As amizades adultas demoram meses a consolidar-se, e é normal que as primeiras semanas pareçam artificiais. Insistir na presença regular, sem esperar resultados imediatos, é o que separa quem faz amigos novos de quem desiste à terceira sessão.

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