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Genéricos: o que muda, o que não muda e quanto se pode poupar

Genéricos: o que muda, o que não muda e quanto se pode poupar
Maria Isadora Ribeiro

Os medicamentos genéricos têm a mesma substância activa e a mesma eficácia dos originais, mas podem custar bastante menos. O que confunde é a caixa mudar de aspecto todos os meses.

Todos os meses, milhares de portugueses saem da farmácia com uma caixa diferente da do mês anterior, para o mesmo problema de saúde. É um dos efeitos práticos dos medicamentos genéricos e uma das causas mais frequentes de confusão e de erros de toma em casa.

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O que é um genérico

Um medicamento genérico contém a mesma substância activa, na mesma dose e na mesma forma farmacêutica que o medicamento original, e tem de demonstrar que se comporta no organismo de maneira equivalente. É autorizado pela mesma autoridade do medicamento, o Infarmed, e sujeito às mesmas regras de qualidade e fiscalização.

Custa menos porque não tem de suportar os custos da investigação inicial, que já foram recuperados durante os anos de patente.

O que pode ser diferente

A cor, a forma, o tamanho do comprimido, o sabor e os chamados excipientes, as substâncias que dão corpo ao medicamento, podem variar. Na maioria das pessoas isso não tem qualquer consequência, mas explica por que razão um comprimido pode parecer «diferente». Quem tem alergias ou intolerâncias, por exemplo a lactose, deve dizê-lo na farmácia.

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Quanto se poupa

A diferença de preço entre um original e um genérico pode ser significativa, sobretudo em tratamentos crónicos tomados todos os dias durante anos. Existe ainda o sistema de preços de referência, que define até quanto o Estado comparticipa dentro de cada grupo de medicamentos equivalentes: se o doente escolher um mais caro do que essa referência, paga a diferença do seu bolso.

Quem toma vários medicamentos crónicos deve pedir ao farmacêutico que lhe mostre, dentro do que está receitado, as alternativas mais baratas disponíveis.

O verdadeiro risco: tomar a dobrar

O perigo dos genéricos não está na qualidade, está na confusão. Uma pessoa que tem em casa a caixa antiga e a nova, com nomes comerciais diferentes para a mesma substância, pode acabar a tomar as duas. É um erro frequente e potencialmente grave, sobretudo com anticoagulantes, comprimidos para a tensão e para a diabetes.

Três hábitos evitam quase todos os casos. Primeiro, guardar sempre a lista dos medicamentos pela substância activa, e não pela marca. Segundo, quando chega uma caixa nova, deitar fora ou separar a antiga da mesma substância. Terceiro, usar caixa organizadora semanal, que torna visível qualquer duplicação.

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Receita sem papel e validade

Com a receita electrónica, o mesmo código pode ser usado em qualquer farmácia e é aí que se escolhe o medicamento dentro do grupo receitado. Confirme sempre a validade da receita e, se toma medicação crónica, peça ao médico a renovação com antecedência, para não ficar sem comprimidos num fim-de-semana ou num feriado.

Quando falar com o médico

Há um pequeno número de situações em que a troca frequente entre marcas merece atenção, como certos medicamentos para a epilepsia, para a tiroide ou anticoagulantes, em que pequenas variações podem ter impacto. Nestes casos, vale a pena perguntar ao médico se convém manter sempre o mesmo produto.

Fora isso, escolher genérico é, na maioria das vezes, apenas uma forma de pagar menos pelo mesmo tratamento.