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Hepatologistas alertam para risco grave associado a desafio viral com paracetamol

Hepatologistas alertam para risco grave associado a desafio viral com paracetamol
Rogério Junior

APEF pede vigilância de pais, escolas e plataformas digitais

A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) manifestou “preocupação extrema” perante a circulação nas redes sociais de um perigoso “Desafio do Paracetamol”, que incentiva crianças e adolescentes a ingerirem deliberadamente doses elevadas deste medicamento.

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Segundo Mónica Sousa, membro da direção da APEF, os profissionais que trabalham na área do transplante hepático conhecem bem as consequências da insuficiência hepática aguda — uma destruição irreversível do fígado que pode evoluir rapidamente para situações fatais ou exigir transplante urgente.

“O que pode parecer uma brincadeira inofensiva pode transformar-se, em poucas horas, numa emergência médica grave”, alerta a especialista.

Um medicamento seguro… nas doses corretas

O paracetamol é considerado seguro quando utilizado dentro das doses recomendadas. No entanto, tem uma margem terapêutica estreita, o que significa que a diferença entre a dose segura e a dose tóxica pode ser relativamente pequena.

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Uma sobredosagem pode provocar lesões hepáticas graves, potencialmente irreversíveis. Um dos maiores perigos é precisamente o seu carácter silencioso: nas primeiras 24 a 48 horas, os sintomas — como náuseas ou dor abdominal — podem ser ligeiros ou até inexistentes.

“Essa ausência de sinais cria uma falsa sensação de segurança, enquanto o fígado sofre danos progressivos. Quando os sintomas se tornam evidentes, pode já ser demasiado tarde”, explica Mónica Sousa.

A especialista reforça que, perante qualquer suspeita de ingestão excessiva, deve procurar-se ajuda médica imediata — mesmo que não haja sintomas aparentes. A eficácia do antídoto disponível depende da rapidez com que é administrado.

Álcool agrava o risco

A toxicidade do paracetamol é significativamente agravada pelo consumo de álcool, um fator particularmente preocupante na adolescência, fase em que é comum a experimentação de bebidas alcoólicas.

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Alertas multiplicam-se na Europa

O fenómeno tem motivado avisos de várias autoridades sanitárias europeias. Em Espanha, o Hospital Materno-Infantil de Málaga reportou casos de adolescentes hospitalizados com intoxicação grave. Em França, a Agence nationale de sécurité du médicament recordou que a sobredosagem de paracetamol é a principal causa de transplante hepático de origem medicamentosa no país.

Também Alemanha, Bélgica, Suíça, Eslovénia e Reino Unido emitiram alertas. Nos Estados Unidos, foi registada em 2023 a morte de um adolescente de 13 anos associada a um desafio semelhante.

Em Portugal, a APEF subscreve igualmente o alerta público feito por Carlos Cortes, Bastonário da Ordem dos Médicos, que sublinhou o perigo “silencioso” desta intoxicação.

O apelo: prevenção e diálogo

A APEF apela:

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  • Aos pais e educadores, para que conversem abertamente com os jovens sobre os riscos reais de desafios virais e guardem os medicamentos em locais seguros;

  • Aos profissionais de saúde, para reforçarem a vigilância na dispensa de medicamentos a menores;

  • Às plataformas digitais, para que monitorizem e removam conteúdos que incentivem comportamentos autolesivos.

“Uma conversa hoje pode salvar uma vida amanhã”, sublinha Mónica Sousa.

Num tempo em que as tendências digitais se espalham rapidamente, a informação clara e o diálogo aberto continuam a ser as ferramentas mais eficazes para proteger os mais jovens.