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Hepatologistas alertam para risco grave associado a desafio viral com paracetamol

Forever Young

APEF pede vigilância de pais, escolas e plataformas digitais

A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) manifestou “preocupação extrema” perante a circulação nas redes sociais de um perigoso “Desafio do Paracetamol”, que incentiva crianças e adolescentes a ingerirem deliberadamente doses elevadas deste medicamento.

Segundo Mónica Sousa, membro da direção da APEF, os profissionais que trabalham na área do transplante hepático conhecem bem as consequências da insuficiência hepática aguda — uma destruição irreversível do fígado que pode evoluir rapidamente para situações fatais ou exigir transplante urgente.

“O que pode parecer uma brincadeira inofensiva pode transformar-se, em poucas horas, numa emergência médica grave”, alerta a especialista.

Um medicamento seguro… nas doses corretas

O paracetamol é considerado seguro quando utilizado dentro das doses recomendadas. No entanto, tem uma margem terapêutica estreita, o que significa que a diferença entre a dose segura e a dose tóxica pode ser relativamente pequena.

Uma sobredosagem pode provocar lesões hepáticas graves, potencialmente irreversíveis. Um dos maiores perigos é precisamente o seu carácter silencioso: nas primeiras 24 a 48 horas, os sintomas — como náuseas ou dor abdominal — podem ser ligeiros ou até inexistentes.

“Essa ausência de sinais cria uma falsa sensação de segurança, enquanto o fígado sofre danos progressivos. Quando os sintomas se tornam evidentes, pode já ser demasiado tarde”, explica Mónica Sousa.

A especialista reforça que, perante qualquer suspeita de ingestão excessiva, deve procurar-se ajuda médica imediata — mesmo que não haja sintomas aparentes. A eficácia do antídoto disponível depende da rapidez com que é administrado.

Álcool agrava o risco

A toxicidade do paracetamol é significativamente agravada pelo consumo de álcool, um fator particularmente preocupante na adolescência, fase em que é comum a experimentação de bebidas alcoólicas.

Alertas multiplicam-se na Europa

O fenómeno tem motivado avisos de várias autoridades sanitárias europeias. Em Espanha, o Hospital Materno-Infantil de Málaga reportou casos de adolescentes hospitalizados com intoxicação grave. Em França, a Agence nationale de sécurité du médicament recordou que a sobredosagem de paracetamol é a principal causa de transplante hepático de origem medicamentosa no país.

Também Alemanha, Bélgica, Suíça, Eslovénia e Reino Unido emitiram alertas. Nos Estados Unidos, foi registada em 2023 a morte de um adolescente de 13 anos associada a um desafio semelhante.

Em Portugal, a APEF subscreve igualmente o alerta público feito por Carlos Cortes, Bastonário da Ordem dos Médicos, que sublinhou o perigo “silencioso” desta intoxicação.

O apelo: prevenção e diálogo

A APEF apela:

  • Aos pais e educadores, para que conversem abertamente com os jovens sobre os riscos reais de desafios virais e guardem os medicamentos em locais seguros;

  • Aos profissionais de saúde, para reforçarem a vigilância na dispensa de medicamentos a menores;

  • Às plataformas digitais, para que monitorizem e removam conteúdos que incentivem comportamentos autolesivos.

“Uma conversa hoje pode salvar uma vida amanhã”, sublinha Mónica Sousa.

Num tempo em que as tendências digitais se espalham rapidamente, a informação clara e o diálogo aberto continuam a ser as ferramentas mais eficazes para proteger os mais jovens.